Como a A24 fez de um youtuber de 20 anos seu maior sucesso
O estúdio independente de Moonlight e Marty Supreme apostou num jovem que fazia vídeos de terror no YouTube. Backrooms custou menos de US$ 10 milhões e passou de US$ 400 milhões.

A A24, estúdio independente americano famoso por filmes de autor como Moonlight, conseguiu a maior bilheteria da sua história com Backrooms, o primeiro longa de Kane Parsons. Ele tinha 20 anos na estreia e ficou conhecido fazendo vídeos de terror no YouTube. O filme custou menos de US$ 10 milhões e passou de US$ 400 milhões no mundo, segundo o site NewsBytes, em 20 de setembro de 2026.
O caso chama atenção porque junta dois mundos que costumavam andar separados: o cinema de prestígio e a internet. Por isso, ele virou exemplo de como um criador pode levar uma audiência construída no celular até a sala de cinema. Além disso, Backrooms coroa uma trajetória de 14 anos em que a A24 saiu do nada para disputar espaço com os grandes estúdios de Hollywood.
O que é a A24 e quem criou o estúdio?
A A24 nasceu em Nova York em agosto de 2012, fundada por Daniel Katz, David Fenkel e John Hodges. Fenkel vinha da distribuidora Oscilloscope, e Hodges, da produtora Big Beach. O dinheiro inicial veio da Guggenheim Partners, empresa de investimentos. No começo, o estúdio só distribuía filmes de outros produtores, e o primeiro lançamento nos cinemas saiu em 2013.
Desde então, o nome A24 ficou associado a orçamentos baixos e a diretores com estilo próprio, de dramas premiados a filmes de terror. Com o tempo, a empresa passou também a produzir e financiar os próprios projetos. Hodges deixou a sociedade em 2018, e a empresa também abriu uma divisão de séries, responsável por títulos como Euphoria e Beef.
Quais filmes da A24 ganharam o Oscar?
O primeiro grande salto veio com Moonlight, que levou três Oscars, entre eles o de melhor filme, na cerimônia de 2017. Seis anos depois, Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo ganhou sete estatuetas, inclusive melhor filme. Segundo o verbete do estúdio na Wikipédia, a A24 se tornou, em 2023, o primeiro estúdio independente a vencer filme, direção e as quatro categorias de atuação no mesmo ano.

Além do prestígio, esse filme mostrou que a A24 também podia ganhar dinheiro de verdade. Ele foi o primeiro do estúdio a passar de US$ 100 milhões no mundo, com US$ 147,9 milhões. Em seguida, Marty Supreme, com Timothée Chalamet, elevou a marca para US$ 192,4 milhões e recebeu nove indicações ao Oscar de 2026.

Quem é Kane Parsons, o diretor de Backrooms?
Kane Parsons nasceu em junho de 2005, na Califórnia. Em 7 de janeiro de 2022, ele publicou no canal Kane Pixels o primeiro vídeo da série The Backrooms, que mostra corredores amarelos vazios e infinitos, inspirados numa lenda da internet. Os vídeos imitavam fitas antigas encontradas por acaso, e o canal chegou a 3,42 milhões de inscritos.
Em fevereiro de 2023, a A24 anunciou o filme em parceria com a Chernin Entertainment, que dividiu o financiamento. Assim, Parsons virou o diretor mais jovem da história do estúdio. O elenco ganhou nomes conhecidos, como Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve.

Quanto Backrooms faturou nas bilheterias?
Backrooms estreou nos cinemas dos Estados Unidos em 29 de maio de 2026 e abriu com US$ 81,5 milhões no país e US$ 118 milhões no mundo, a maior estreia da A24. Só na sexta-feira, o filme fez US$ 38 milhões, mais do que todo o fim de semana de abertura de Guerra Civil, o recorde anterior do estúdio, com US$ 25,5 milhões, segundo a Men’s Journal.
Depois, o filme seguiu crescendo. Em 20 de setembro, segundo o NewsBytes, já tinha passado de US$ 400 milhões no mundo, com cerca de US$ 197,5 milhões só nos Estados Unidos. Ou seja, rendeu mais de 40 vezes o orçamento declarado. Para comparar, o ranking dos filmes mais caros da história é liderado por Jurassic World: Domínio, que custou US$ 658,8 milhões. Vale lembrar que nem toda essa receita fica com o estúdio, porque os cinemas ficam com uma parte do valor do ingresso.
Quanto vale a A24 hoje?
A A24 não divulga faturamento, mas os investidores dão uma pista. Em junho de 2024, uma rodada liderada pela Thrive Capital avaliou o estúdio em US$ 3,5 bilhões, 40% a mais do que os US$ 2,5 bilhões de 2022, segundo o site Celluloid Junkie. De acordo com a mesma reportagem, investidores de fora tinham cerca de 12,5% da empresa, e o controle seguia com os fundadores e funcionários.
Em junho de 2026, o Google anunciou um investimento de cerca de US$ 75 milhões na A24, o primeiro do grupo num estúdio de Hollywood, segundo a TechRepublic. O acordo prevê que o Google DeepMind e o laboratório de tecnologia da A24, com 20 pessoas, criem ferramentas de inteligência artificial para storyboards, os desenhos que planejam cada cena. Mesmo assim, o anúncio dividiu os fãs, já que boa parte do público jovem desconfia da IA no cinema.
O que o sucesso de Backrooms ensina sobre a internet e o cinema?
A principal lição é que a audiência fiel vale mais do que o rosto famoso. Parsons não vendia a própria vida nas redes: ele construiu um universo que as pessoas queriam ver. Essa é a diferença entre influenciador e criador de conteúdo, e ela ajuda a explicar por que um canal do YouTube conseguiu encher salas no mundo inteiro.
Do lado da A24, a aposta repetiu o que o estúdio sempre fez: dar dinheiro pouco e liberdade grande a um autor com voz própria. A diferença é que, desta vez, o autor veio com um público pronto. Para quem vive de monetização no YouTube, Backrooms mostra que o canal pode ser a porta de entrada para um negócio bem maior.
Em 14 anos, a A24 passou de distribuidora pequena a estúdio de US$ 3,5 bilhões, com Oscars de melhor filme e, agora, um sucesso de US$ 400 milhões dirigido por um estreante de 20 anos. Com orçamento de menos de US$ 10 milhões, Backrooms virou a maior bilheteria da história do estúdio.
O Resenha Rentável fez um vídeo sobre a diferença entre quem vende a própria vida e quem cria conteúdo de verdade na internet. Assista:

Diretor e produtor. Apontado pela imprensa como uma das jovens promessas de Hollywood. Cofundador do Resenha Rentável.
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