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Fim do Cybertruck: Tesla vai parar de fabricar a picape em 2027

Elon Musk anunciou que a produção acaba no meio do ano que vem, no Texas. A picape de aço que teve 250 mil reservas em cinco dias vendeu 20 mil unidades em 2025.

Redação 5 min de leitura
Foto: Phillip Pessar/Flickr (CC BY 2.0)

O fim do Cybertruck foi anunciado por Elon Musk na sexta-feira (6): a Tesla vai encerrar a produção da picape de aço inoxidável na Gigafactory Texas por volta do meio de 2027. Segundo a CBS News, Musk escreveu no X que a decisão serve para “abrir espaço para mais produção do Cybercab”, o táxi sem motorista da empresa.

O anúncio encerra um dos lançamentos mais comentados da indústria de carros nos últimos anos. Além disso, ele mostra a distância entre a promessa e a venda real. Musk chegou a prever 250 mil picapes por ano, mas a Tesla vendeu 20.237 unidades em 2025, segundo dados da Kelley Blue Book citados pela CBS. Mesmo assim, as ações da Tesla subiram 4,7% no dia do anúncio.

Por que a Tesla decidiu o fim do Cybertruck?

A explicação oficial é a fábrica. Segundo Musk, o espaço no Texas vai para o Cybercab, um carro de dois lugares sem volante nem pedais. No entanto, o site especializado Electrek contesta esse argumento. A publicação lembra que a Gigafactory Texas tem mais de 10 milhões de pés quadrados de área e que o Cybercab ainda é feito em volume pequeno, numa linha separada. Até o fim de outubro de 2026, havia 463 Cybercabs registrados no Texas, segundo o Electrek.

Para o analista Dan Ives, da Yorkville Ives & Co, o desfecho era previsível. “O aviso estava escrito na parede”, disse ele à CBS, citando o preço alto e a demanda fraca. Na prática, a picape vendia muito menos do que a fábrica conseguia produzir.

Cybertruck exposto numa loja da Tesla, antes do fim do Cybertruck
Cybertruck exposto numa loja da Tesla em Miami, em dezembro de 2023. Foto: Phillip Pessar/Flickr (CC BY 2.0)

Quantos Cybertrucks a Tesla vendeu?

A Tesla não divulga as vendas do Cybertruck separadamente. Por isso, os números vêm de consultorias. Segundo a Kelley Blue Book, foram 38.965 picapes em 2024, o melhor ano, e 20.237 em 2025, uma queda de quase metade. Em 2026, a consultoria Cox Automotive contou 3.519 unidades no primeiro trimestre e 3.744 no segundo, de acordo com o Electrek.

No terceiro trimestre de 2026, a Tesla entregou 8.295 veículos na categoria “outros modelos”, que junta o Cybertruck, o caminhão Semi e os Model S e X (estes saíram de linha em abril). Foi uma queda de 48% em relação ao ano anterior, segundo o Electrek. Além disso, parte da demanda veio de dentro de casa: no quarto trimestre de 2025, as empresas de Musk compraram 1.339 picapes, cerca de 19% dos emplacamentos nos EUA, segundo dados da S&P Global Mobility citados pelo site. Só a SpaceX ficou com 1.279.

Qual era a promessa do Cybertruck?

O Cybertruck foi apresentado em 21 de novembro de 2019, em Los Angeles, num evento que ficou famoso por um erro. O designer Franz von Holzhausen jogou uma bola de metal nas janelas, vendidas como quase inquebráveis, e duas se estilhaçaram ao vivo, segundo a Wikipédia. Mesmo assim, cinco dias depois Musk anunciou 250 mil reservas, feitas com depósito reembolsável de US$ 100.

As entregas só começaram em 30 de novembro de 2023, quatro anos depois. Nesse evento, a Tesla anunciou os preços: US$ 60.990 na versão de tração traseira, US$ 79.990 na de dois motores e US$ 99.990 no Cyberbeast, de três motores. Ou seja, valores de 53% a 64% acima do que a empresa tinha projetado em 2019. Em agosto de 2026, a Tesla ainda aumentou o preço em US$ 5 mil, e a versão de dois motores passou a custar US$ 74.990, segundo o Electrek.

O que deu errado com a picape?

O primeiro problema foi o preço, bem acima do prometido. O segundo foi a qualidade. Até maio de 2026, a picape somava 12 recalls nos EUA, segundo a lista da Wikipédia. Entre eles, um pedal de acelerador que podia se soltar e travar, em abril de 2024, e um painel de aço que podia cair com o carro andando, em março de 2025.

Além disso, o mercado ficou pequeno. O Cybertruck não pode ser vendido na Europa nem na maioria dos países com volante do lado direito, segundo o Electrek. Em outubro de 2026, a Tesla também cancelou as vendas na Austrália e na Nova Zelândia. A picape também virou símbolo político nos EUA durante a passagem de Musk pelo Departamento de Eficiência Governamental, e alguns carros foram vandalizados em lojas da Tesla em protesto, segundo a CBS.

Saída de túnel em forma de Cybertruck na Gigafactory Texas
Saída de túnel em forma de Cybertruck em obras na Gigafactory Texas, em dezembro de 2024. Foto: Steve Jurvetson/Flickr (CC BY 2.0)

O que acontece com a fábrica do Texas depois do fim do Cybertruck?

A linha do Cybertruck foi planejada para 250 mil unidades por ano, e a capacidade instalada passa de 125 mil, segundo a última carta da Tesla aos acionistas, citada pelo Electrek. Com vendas perto de 30 mil por ano, a fábrica rodava com cerca de um quarto do que já conseguia produzir.

A aposta agora é nos carros sem motorista. A Tesla já tinha encerrado em 2026 a produção do Model S e do Model X para liberar a fábrica de Fremont para o robô Optimus, segundo o Electrek. Para Ives, Musk está focado na “era dos robotáxis”, tema que o blog explicou ao mostrar como funciona a Waymo, a concorrente do Google. O analista também prevê que a SpaceX compre a Tesla no ano que vem, possibilidade que o mercado já discute desde a proposta de fusão entre SpaceX e Tesla.

O Cybertruck era vendido no Brasil?

Não. A picape é vendida nos Estados Unidos, no México, no Canadá, na Coreia do Sul, no Catar, nos Emirados Árabes e na Arábia Saudita, segundo a Wikipédia. Por isso, o fim do Cybertruck não muda nada para o consumidor brasileiro. Ainda não está claro o que acontece com peças e assistência para quem já tem a picape, e a Tesla não informou até quando vai vender o estoque.

O Cybertruck nasceu como a aposta mais ousada de Musk para entrar no mercado de picapes, o mais lucrativo dos EUA, e termina com uma fração das vendas prometidas. A história mostra que reserva não é venda e que um carro famoso pode fracassar quando o preço final fica longe do anunciado. Para entender de onde vem a riqueza do dono da Tesla, vale ler a trajetória de Elon Musk até o primeiro trilhão.

Redação

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