Quanto custa uma eleição no Brasil e quem paga a conta
Quase R$ 5 bilhões de dinheiro público para as campanhas, 563 mil urnas e quase 2 milhões de mesários: os números oficiais por trás do domingo de votação.

Quanto custa uma eleição no Brasil? Em 2026, só o dinheiro público separado para as campanhas soma R$ 4.961.519.777, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como fundo eleitoral ou “fundão”. Além disso, a Justiça Eleitoral põe para funcionar 563.910 urnas e convoca 1.969.060 mesários para atender 158,7 milhões de eleitores no domingo, 4 de outubro.
Para saber quanto custa uma eleição, é preciso juntar números que aparecem separados em documentos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Afinal, quase sempre o eleitor só vê a parte final: a urna na escola do bairro. Por trás dela, porém, há dois tipos de gasto. O primeiro é o das campanhas, pago em grande parte com o fundo eleitoral. O segundo é o da própria votação, que inclui urnas, transporte, sistemas e pessoal, e sai do orçamento da Justiça Eleitoral. Por isso, entender cada parte ajuda a saber para onde vai o dinheiro dos impostos.
Quanto custa uma eleição só em dinheiro para as campanhas?
O maior número oficial é o do fundo eleitoral. Segundo a tabela de distribuição do TSE, o valor total de 2026 é de R$ 4.961.519.777,00, dividido entre 30 partidos. A União depositou o dinheiro na conta do tribunal em 1º de junho, dentro do prazo da lei, informou o próprio TSE.

Na prática, o valor equivale a cerca de R$ 31 por eleitor apto a votar, numa conta simples que divide o fundo pelos 158,7 milhões de eleitores. O dinheiro paga material gráfico, impulsionamento na internet, contratação de pessoal, aluguel de espaços e transporte, segundo o TSE. A proposta original do governo para 2026 previa R$ 1 bilhão. No entanto, a Comissão Mista de Orçamento elevou o valor para R$ 4,9 bilhões, em setembro de 2025, como registrou a Agência Câmara.
Como o fundo eleitoral é dividido entre os partidos?
A divisão segue uma fórmula fixa da Lei das Eleições. Primeiro, 2% do total são repartidos igualmente entre todos os partidos registrados. Depois, 35% seguem os votos de cada legenda na última eleição para a Câmara, 48% seguem o número de deputados eleitos e 15% seguem o tamanho da bancada no Senado, explica o TRE-SP. Ou seja, quem tem bancada maior no Congresso recebe mais.
Com essa regra, os valores ficam muito diferentes. De acordo com a Agência Senado, as três maiores fatias são do PL (R$ 881 milhões), do PT (R$ 615 milhões) e do União Brasil (R$ 526 milhões), que juntos ficam com quase 40% do fundo. Na outra ponta, dez partidos recebem R$ 3,3 milhões cada, só a parte igual para todos.
Por que existe o fundo eleitoral?
O fundo foi criado em 2017, pelas Leis 13.487 e 13.488, depois que o Supremo Tribunal Federal proibiu doações de empresas para campanhas, em 2015, lembra o TRE-SP. Desde então, as campanhas contam com esse dinheiro público, com doações de pessoas físicas e com recursos dos próprios candidatos. Ele não se confunde com o Fundo Partidário, que existe desde 1965 e paga despesas do dia a dia dos partidos, como salários, contas de luz e aluguéis.
Mesmo com dinheiro público, há limite para gastar. O TSE manteve para 2026 os mesmos tetos de 2022, sem correção pela inflação. Para presidente, cada campanha pode gastar até R$ 88,944 milhões no 1º turno, mais R$ 44,472 milhões se houver 2º turno, segundo o TRE-MT. Os limites para governador, senador e deputados mudam de estado para estado.
Quantas urnas e mesários uma eleição precisa?
A outra parte de quanto custa uma eleição é a votação em si. Em 2026, a Justiça Eleitoral vai usar 563.910 urnas de quatro modelos, e 77% delas são das gerações mais novas, de 2020 e 2022, informou o TSE. Em 2022, foram cerca de 471 mil, segundo outro texto do tribunal. Para chegar às seções, os equipamentos viajam em centenas de caminhões e vans, além de aviões e helicópteros nos lugares mais distantes.

Cada urna também tem preço. Em dezembro de 2021, o TSE publicou a ata de registro de preços para comprar até 176 mil urnas do modelo UE2022, da Positivo Tecnologia, por até R$ 1,18 bilhão, segundo o tribunal. Neste ano, 217.145 urnas desse modelo estarão em uso.
Já os mesários são 1.969.060 convocados, quase 80 mil a mais do que em 2022, de acordo com dados do TSE publicados pelo Correio Braziliense. Pelo trabalho, eles recebem auxílio-alimentação de R$ 60 por turno e dois dias de folga no trabalho para cada dia de serviço. Assim, só o auxílio de todos os convocados chegaria a cerca de R$ 118 milhões por turno.

E o custo de organizar a votação?
Urnas, transporte, segurança dos sistemas, treinamento e totalização dos votos saem do orçamento anual da Justiça Eleitoral, aprovado pelo Congresso na Lei Orçamentária. O TSE publica esses documentos no seu portal de transparência. Até a publicação deste texto, porém, esta reportagem não encontrou um valor único, divulgado pelo tribunal, só para a organização do pleito de 2026. Por isso, esta reportagem usa apenas os números oficiais de cada parte, sem somas estimadas por terceiros.

O que esses números dizem para o eleitor?
Mesmo sem um total único de quanto custa uma eleição, os números mostram o tamanho da operação: centenas de milhares de urnas, quase 2 milhões de mesários e bilhões em dinheiro público para as campanhas. Por isso, os gastos das campanhas são públicos: qualquer pessoa pode consultar, no DivulgaCandContas, o site da Justiça Eleitoral que reúne candidaturas e prestação de contas, quanto cada candidato recebeu e gastou, como lembra o TRE-SC. Na página [Quem está na sua urna](https://resenharentavel.com/candidatos/ “Quem está na sua urna”) estão os candidatos a presidente com os bens declarados e o dinheiro de campanha.
Para quem vai votar no domingo, vale também revisar a ordem dos votos na urna e saber quanto ganha cada político que sai eleito, outro custo que o contribuinte paga pelos próximos quatro anos.

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