Ataque hacker à Binance desvia US$ 6,3 bilhões e trava saques
A maior corretora de criptomoedas do mundo sofreu o maior roubo já registrado no setor. Veja como os hackers entraram, o que foi levado, quem é suspeito e o que acontece com o dinheiro dos clientes.

O ataque hacker à Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, desviou cerca de US$ 6,3 bilhões (perto de R$ 33 bilhões) em moedas digitais na quinta-feira (29). É o maior roubo já registrado no setor. A empresa suspendeu os saques e promete cobrir todas as perdas dos clientes com dinheiro próprio.
O caso importa porque mexe com a confiança no lugar onde milhões de pessoas guardam bitcoin, ether e outras moedas. Segundo o Correio Braziliense, a Binance foi fundada na China em 2017 e tem mais de 300 milhões de usuários cadastrados. Além disso, o roubo derrubou o mercado: o bitcoin fechou a sexta-feira (30) em queda de 5,30%, a US$ 76.598, de acordo com o InvesTalk, do Banco do Brasil.
O que aconteceu no ataque hacker à Binance?
A empresa de análise de blockchain Elliptic aponta que o roubo começou por volta das 20h05 (horário de Londres) de quinta-feira, ou seja, 17h05 em Brasília. A Elliptic estima o valor levado em US$ 6,43 bilhões. Já a própria Binance fala em impacto de cerca de US$ 6,3 bilhões. A diferença vem do preço usado em cada conta, porque as cotações mudaram muito nas horas seguintes.
O dinheiro saiu rápido. Segundo a empresa TRM Labs, citada pela agência AP em texto publicado pelo Korea Times, cerca de US$ 6,36 bilhões deixaram as carteiras da Binance em 10 redes diferentes, a maior parte em uns 20 minutos. O alvo foi a chamada carteira quente, que fica conectada à internet para pagar os saques do dia a dia. Por outro lado, o co-CEO Richard Teng disse que a maior parte dos recursos dos clientes fica em carteiras frias, desconectadas da rede.
Como os hackers entraram na Binance?
A investigação inicial da própria Binance apontou para o notebook de um engenheiro da área de infraestrutura (DevOps) que teria sido comprometido. A partir dele, o invasor chegou a um sistema interno e enviou pedidos de saque falsos, segundo a Exame. A empresa afirmou que não encontrou sinais de vazamento das chaves privadas das carteiras, que são as senhas que dão acesso direto às moedas.
Depois, porém, a apuração encontrou outros pontos de invasão. Por isso, Teng disse que o ataque “não usou simplesmente as permissões de um engenheiro” e que nenhum funcionário foi culpado individualmente. A Binance prometeu publicar um relatório técnico completo quando terminar a investigação.
Quais criptomoedas foram roubadas no ataque à Binance?
O levantamento da Elliptic mostra que o maior pedaço saiu da rede Ethereum: US$ 3,8 bilhões, espalhados em 186 tipos de token. Além disso, foram levados 18.270 bitcoins, que valiam US$ 1,48 bilhão, cerca de 612,7 milhões da moeda USDT na rede Tron e 233 milhões de XRP. Ao todo, US$ 3,46 bilhões eram stablecoins, as moedas digitais atreladas ao dólar.
Esse detalhe ajudou a Binance. Empresas como a Tether e a Circle, que emitem as principais stablecoins, conseguem congelar essas moedas. Segundo o Correio Braziliense, cerca de US$ 3 bilhões já foram congelados com a ajuda de outras companhias, sendo US$ 2,4 bilhões pela Tether e pela Circle. Em contrapartida, bitcoin e XRP não têm um emissor que possa travar o dinheiro. Assim, a Elliptic calcula que o invasor ainda controla cerca de US$ 3,21 bilhões que ninguém consegue congelar.

Quem está por trás do ataque hacker à Binance?
Ninguém foi oficialmente identificado até a manhã de sábado (31). A TRM Labs atribuiu o ataque, “com alta confiança”, ao grupo TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte, segundo a AP. O CEO da Chainalysis, Jonathan Levin, também escreveu que o roubo provavelmente foi obra desse grupo. A Elliptic considera a hipótese provável, mas lembra que nenhum governo confirmou a autoria.
A Binance disse apenas que trabalha com a polícia para identificar os criminosos. Já a Coreia do Norte nega envolvimento, de acordo com o Correio Braziliense. Ou seja, por enquanto, a ligação com o país é uma suspeita de empresas privadas, e não uma conclusão de investigação oficial. Para entender como funciona o país apontado, vale ler o nosso texto sobre como é visitar a Coreia do Norte.
Os clientes da Binance vão perder dinheiro?
A promessa da empresa é que não. A Binance diz que vai cobrir todas as perdas com o SAFU, um fundo de emergência criado para casos assim, e com recursos próprios. Segundo o Correio Braziliense, a corretora separou mais de US$ 6,34 bilhões, e cerca de US$ 5 bilhões disso já estão nas mesmas moedas que foram roubadas. O restante está sendo comprado no mercado, o que pode levar mais tempo nas moedas com pouco volume de negociação.
Enquanto isso, os depósitos funcionam normalmente, mas os saques continuam suspensos. Na sexta-feira, a co-CEO Yi He disse que a expectativa era retomar os saques em até 48 horas. No Brasil, a Binance publicou que “os fundos dos usuários estão seguros”. Em momentos assim, golpistas costumam se aproveitar do susto para pedir senhas ou códigos em nome da empresa, como mostramos no guia sobre o golpe do Pix.
Por que é o maior roubo de criptomoedas da história?
Até agora, o recorde era da corretora Bybit, que perdeu US$ 1,46 bilhão em fevereiro de 2025, segundo a Elliptic. Ou seja, o ataque à Binance foi mais de quatro vezes maior. Em setembro de 2026, a Bitget também tinha perdido cerca de US$ 388 milhões, de acordo com o Correio Braziliense. O fundador da Binance, Changpeng Zhao, que deixou o comando em 2023 depois de se declarar culpado por falhas no combate à lavagem de dinheiro, escreveu que o caso pode ser o maior em dólares, mas que ataques antigos, como o da Mt. Gox, levaram mais bitcoins.

Diferentemente da fraude da FTX, em que o dinheiro dos clientes sumiu dentro da própria empresa, aqui a corretora foi vítima de um invasor externo. Mesmo assim, o caso reforça um risco antigo: quem deixa criptomoedas numa corretora depende da segurança dela. Por isso, a próxima prova será a retomada dos saques e o relatório técnico que a Binance prometeu divulgar.

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