Urnas fechadas: como funciona a apuração dos votos
Às 17h de Brasília, cada urna conta os próprios votos e imprime o boletim. Depois, o resultado viaja por uma rede própria, passa por assinatura digital e entra na soma do TSE.

A apuração dos votos começa na própria seção eleitoral, assim que a votação termina às 17h de Brasília. Cada urna conta os votos que recebeu e imprime o boletim de urna, com o resultado daquela seção. Depois, os dados viajam por uma rede própria da Justiça Eleitoral, passam por uma conferência de assinatura digital e entram na soma nacional feita pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O processo explica por que, desde a chegada da urna eletrônica, o Brasil conhece os resultados no mesmo dia da votação, como lembra o TSE. Ao mesmo tempo, ele deixa rastros em papel e em arquivo digital que qualquer pessoa pode conferir. Neste domingo, 4 de outubro, a apuração dos votos vale para os cinco cargos: presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital.
O que acontece na seção às 17h?
Primeiro, quem já estava na fila continua com o direito de votar. Segundo o TSE, os mesários identificam todos os eleitores que ainda aguardam e distribuem senhas. Assim, só eles votam depois do horário.
Em seguida, o presidente da mesa encerra a votação e registra a ata, com ocorrências como troca de mesário, interrupções e protestos. Há uma novidade em 2026: as duas últimas pessoas a votar são convidadas a acompanhar o fechamento da seção e recebem uma via impressa do boletim. Além disso, fiscais dos partidos podem acompanhar todas as etapas.
O que é o boletim de urna?
O boletim de urna, chamado de BU, é o resultado de cada seção. Segundo o TSE, “o documento mostra o resultado da seção, com os votos de cada candidatura e legenda”. A urna imprime obrigatoriamente cinco vias, e uma delas fica afixada na porta da sala onde funcionou a seção. Por isso, qualquer pessoa pode ler o resultado daquela urna ali mesmo.

No fim de cada boletim há QR Codes. Com eles, o eleitor pode usar a função Boletim na Mão, que agora fica dentro do aplicativo e-Título, e comparar o papel da seção com o número que o TSE divulga, segundo o tribunal.
Como o voto sai da urna e chega ao TSE?
A urna não tem conexão com a internet. Em vez disso, a mídia de resultado, um dispositivo removível que guarda os dados da votação, é retirada da urna e levada às juntas eleitorais. Ali, os arquivos seguem por “uma rede de comunicação usada especificamente para essa finalidade”, explica o TSE no texto sobre o caminho do voto.
O arquivo leva o boletim em formato digital, com os votos de cada candidato e partido, mas sem nenhuma ligação entre o eleitor e o voto. Em lugares sem boa conexão, a transmissão usa satélite. No Maranhão, por exemplo, 66 locais de votação em 22 municípios, entre ilhas, aldeias indígenas e outras áreas remotas, enviam o resultado por antenas de internet via satélite, segundo o TSE.

Para que serve a assinatura digital?
Antes de entrar na conta, cada arquivo passa por verificações. A principal é a conferência da assinatura digital, que, segundo o TSE, “confirma que o resultado foi produzido pela urna eletrônica cadastrada para aquela seção”. Na prática, ela funciona como um selo eletrônico da urna daquela seção.
Só depois disso o resultado entra na totalização. “A totalização nada mais é do que um processo de somatória”, resumiu o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente, em entrevista ao tribunal. Ele lembra que a urna já entrega o resultado apurado na seção; o TSE apenas soma os boletins de todo o país.

Onde acompanhar a apuração dos votos?
A divulgação começa às 17h, no horário de Brasília. O TSE mostra os números no aplicativo Resultados, para Android e iOS, e no portal de resultados na internet. Ali dá para ver o andamento por estado, município ou zona eleitoral e buscar por candidato. Além disso, o tribunal transmite a cobertura ao vivo no YouTube e na TV Justiça, com foco na apuração a partir das 17h, segundo o TSE.
O Resenha Rentável acompanha a contagem na página da [apuração](https://resenharentavel.com/apuracao/ “Apuração”), sempre com a porcentagem de urnas apuradas e o horário do dado do TSE. Quem quiser rever quem disputa cada cargo encontra os nomes em [quem está na sua urna](https://resenharentavel.com/candidatos/ “Quem está na sua urna”).

Quando um candidato é eleito no 1º turno?
Para presidente e governador, vence no 1º turno quem tiver mais da metade dos votos válidos, que excluem brancos e nulos, segundo o glossário do TSE. Se ninguém passar disso, os dois mais votados voltam às urnas no 2º turno, em 25 de outubro. A lógica dessa regra está explicada em o que é voto útil.
Para senador não há 2º turno: a Constituição manda eleger os senadores pelo princípio majoritário, ou seja, ficam com as vagas os mais votados. Já as vagas de deputado são divididas primeiro entre os partidos, conforme a votação de cada um. Por fim, as urnas ficam guardadas e lacradas depois da eleição, para o caso de um pedido de recontagem ser aceito. O TSE diz que o processo tem 40 oportunidades de fiscalização e auditoria, do desenvolvimento da urna até a soma final.

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