Viagem

Compras no Paraguai ainda valem a pena? O que muda em 2026

A cota continua em US$ 500, os Correios passaram a entregar compras de lojas paraguaias em casa e a crise do Ueno Bank mexeu com o comércio de Ciudad del Este.

Redação 6 min de leitura
Foto: Leandro Neumann Ciuffo/Flickr (CC BY 2.0)

Compras no Paraguai ainda valem a pena para alguns produtos, mas a conta mudou. A cota de isenção para quem volta por terra segue em US$ 500 por pessoa, o que passar disso paga imposto e, desde agosto de 2026, dá para comprar em lojas de Ciudad del Este sem sair de casa, com entrega pelos Correios.

O assunto voltou à pauta nesta semana por outro motivo. O Paraguai vive uma crise bancária e política, com a quebra do Ueno Bank e a troca de presidente, como mostramos na matéria sobre Pedro Alliana. Por isso, quem planeja atravessar a Ponte da Amizade nas próximas semanas quer saber se ainda compensa e o que pode dar errado.

Qual é a cota para compras no Paraguai?

Quem entra no Brasil por via terrestre pode trazer até US$ 500 em mercadorias sem pagar imposto. Segundo a cartilha da Receita Federal, a cota vale para quem não fez outra viagem ao exterior nos 30 dias anteriores. Na volta de avião ou navio, o limite sobe para US$ 1.000.

Além disso, a cota é individual. Ou seja, não dá para somar o limite da família inteira para justificar um único televisor caro. Segundo reportagem da Agência Brasil republicada pelo InfoMoney, as cotas são intransferíveis e não podem ser juntadas, nem entre parentes. Existe ainda um teto de quantidade: bebidas alcoólicas, por exemplo, ficam limitadas a 12 litros por pessoa.

Quanto custa passar da cota?

O valor que passa dos US$ 500 paga 50% de imposto, segundo a mesma reportagem. Assim, quem traz US$ 700 em compras paga imposto sobre US$ 200, o que dá US$ 100 a mais. Na prática, uma compra que parecia barata pode ficar perto do preço de loja brasileira.

Por outro lado, esconder a compra sai ainda mais caro. Quem omite bens ou faz declaração falsa leva multa de 50% sobre o valor que passou da cota, além do imposto. Já quem traz mercadoria para revender, produto pirata ou itens escondidos no corpo ou na bagagem fica sujeito a punições administrativas e penais. Por isso, a regra de ouro é declarar tudo o que passar do limite.

O que ainda vale a pena comprar no Paraguai?

Segundo um roteiro de compras publicado pelo Correio Braziliense em junho de 2026, perfumes importados, maquiagem e cremes de marcas conhecidas podem custar menos da metade do preço das lojas brasileiras. Bebidas importadas, como uísque, vinho e vodca, equipamentos de pesca e camping e videogames também aparecem entre os itens mais competitivos.

No entanto, o celular de última geração perdeu parte da vantagem. Segundo o jornal, a variação do câmbio e as promoções do varejo brasileiro diminuíram a diferença de preço em alguns aparelhos. Por isso, a recomendação é comparar com as lojas online do Brasil antes de viajar, já considerando o imposto se a compra passar da cota.

E a garantia dos produtos comprados no Paraguai?

Esse é o principal risco. Produtos comprados fora do país não têm a proteção do Código de Defesa do Consumidor brasileiro, segundo guia da Nomad. A garantia de fábrica pode valer em alguns casos, mas a assistência técnica no Brasil pode ser limitada ou até recusada sem nota fiscal brasileira.

Por isso, o Correio Braziliense recomenda comprar em lojas grandes e conhecidas, que dão garantia e emitem nota. Além disso, vale testar o eletrônico ainda na loja, conferir se os acessórios estão na caixa e se não há defeito. Outra dica é pagar em dólar ou em guarani, porque a conversão para reais costuma sair cara, e evitar o cartão de crédito, que tem IOF e câmbio pior.

Como funcionam as compras no Paraguai pelos Correios?

Desde agosto de 2026, os Correios entregam no Brasil compras feitas em sites de lojas paraguaias. Segundo o Mercado&Consumo, o serviço usa o Correios Packet, com transporte por terra a partir de Ciudad del Este, e aceita encomendas de até 30 kg. Na largada, duas lojas participam: Cellshop e New Zone Importados, ambas no programa Remessa Conforme, da Receita Federal.

A diferença está no imposto. Segundo o O POVO, compras de até US$ 50 pagam só o ICMS estadual, de 17% a 20%. De US$ 50,01 a US$ 3.000, o Imposto de Importação é de 60%, com desconto fixo de US$ 20, mais o ICMS. Ou seja, pela internet não existe a cota de US$ 500, mas o tributo já vem calculado no ato da compra, sem surpresa na alfândega. Com isso, a encomenda chega como um frete nacional, no mesmo esquema das compras em sites como Shein e Shopee, explicado na matéria sobre a taxa das blusinhas.

A crise do Ueno Bank afeta as compras no Paraguai?

Para o turista brasileiro, o efeito direto é pequeno. Segundo o Diário do Pará, não há indicação de impacto financeiro imediato para brasileiros sem conta, investimento ou negócio no Paraguai. Além disso, o Banco Central do Paraguai tratou o caso como específico, e o Ueno representa menos de 9% do sistema financeiro do país, segundo o jornal.

Mesmo assim, o comércio de Ciudad del Este sentiu o golpe. O Banco Central do Paraguai iniciou a resolução do Ueno em 2 de novembro, depois que o capital do banco caiu abaixo da metade do mínimo exigido, segundo o Times Brasil. A Asimcopar, associação de importadores e comerciantes paraguaios, afirmou que duas em cada três operações eletrônicas das grandes lojas passavam por contas do Ueno. Além disso, o presidente da Fedemipymes, Luis Tavella, estimou que a paralisação das microempresas pode durar de 15 a 30 dias. Na prática, isso pode afetar formas de pagamento e estoque nas lojas, por isso levar dólar em espécie, dentro do limite legal, ajuda a evitar contratempo.

Resumo

  • A cota para quem volta por terra é de US$ 500 por pessoa, uma vez a cada 30 dias.
  • O que passa da cota paga 50% de imposto; omitir a compra rende multa de mais 50%.
  • Bebidas alcoólicas ficam limitadas a 12 litros por pessoa.
  • Perfumes, cosméticos e bebidas importadas são os itens que mais compensam; celular novo nem sempre.
  • Compras em lojas paraguaias pela internet chegam pelos Correios, com até 60% de imposto e sem cota.
  • A crise do Ueno Bank afeta o comércio local, mas não tem efeito direto sobre o turista brasileiro.

Antes de atravessar a ponte, portanto, vale fazer a conta com o imposto incluído e comparar com o preço daqui. Para quem quer viajar gastando pouco, a lista de países baratos para viajar mostra outros destinos na América do Sul em que o real ainda rende.

Redação

Atualizações, novidades e bastidores da equipe do Resenha Rentável.

Ver biografia e artigos →
Essa conversa continua no canal.Inscreva-se no YouTube