Medo de bolha da IA derruba bolsas e faz o dólar subir
A Meta vai criar ações sem direito a voto para bancar a inteligência artificial, e Wall Street reagiu mal. Veja o que aconteceu, por que o mercado teme uma bolha e o que isso tem a ver com o Brasil.

O medo de uma bolha da IA voltou a derrubar as bolsas nesta quinta-feira (22). Investidores duvidam que os bilhões gastos pelas gigantes de tecnologia em inteligência artificial vão dar lucro, e a Meta, dona do Facebook e do Instagram, chegou a cair 6,7% em Nova York. No Brasil, o Ibovespa recuou e o dólar subiu.
A queda começou na Ásia, passou pela Europa e chegou a Wall Street. O gatilho foram os balanços do terceiro trimestre de Meta e Tesla, divulgados na noite de quarta-feira (21). Os números vieram fortes, mas não convenceram. Além disso, o petróleo do tipo Brent passou de US$ 112 por barril, o maior nível desde maio, depois de novos ataques dos houthis na Arábia Saudita. Ou seja, o investidor acordou com dois motivos para fugir do risco ao mesmo tempo.

O que aconteceu com as bolsas hoje?
Segundo a Reuters, às 9h41 de Nova York (10h41 em Brasília) a Nasdaq, bolsa onde estão as grandes empresas de tecnologia, caía 1,46%, para 26.312 pontos. No mesmo horário, o S&P 500 recuava 0,81% e o Dow Jones, 0,26%. O setor de tecnologia liderava as perdas, com baixa de 1,6%.
A agência lista uma série de quedas entre as empresas ligadas à IA. A Meta despencava 6,7%. Enquanto isso, a Intel perdia 5,3%, e Nvidia e Amazon caíam cerca de 2% cada uma. AMD, Qualcomm, Broadcom e Micron, fabricantes de chips, recuavam entre 1,9% e 5,2%. Antes, na Ásia, o índice Kospi, da Coreia do Sul, fechou em queda de 3,52%, e o Nikkei, do Japão, caiu 2,7%, segundo o Portal do Agronegócio.
Por que a Meta caiu tanto?
O resultado da Meta foi bom no papel. Segundo o balanço da empresa, resumido pelo StockTitan, a receita do trimestre subiu 26%, para US$ 64,6 bilhões. Porém, o investimento em servidores e centros de dados quase dobrou: foram US$ 34,9 bilhões no trimestre, contra US$ 19,4 bilhões um ano antes. Com isso, o fluxo de caixa livre, o dinheiro que sobra depois de pagar as contas e os investimentos, ficou negativo em US$ 2,1 bilhões.
O que mais incomodou foi o plano para pagar essa conta. A Meta anunciou uma nova classe de ações, a classe C, sem direito a voto. Cada acionista vai receber uma ação nova para cada ação que já tem, a partir de 19 de janeiro de 2027. Segundo a empresa, os papéis poderão ser usados depois para levantar dinheiro, pagar funcionários ou comprar outras empresas. Na prática, o mercado leu o anúncio como sinal de que a IA vai exigir ainda mais capital. Além disso, a Meta passou a prever entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões de investimentos em 2026.
“Nossos investimentos estão dando resultado, o negócio principal está forte”
Mark Zuckerberg, presidente da Meta, no balanço de 21 de outubro de 2026
O que é a bolha da IA?
Bolha é quando o preço de um ativo sobe muito acima do que ele deve render no futuro, puxado pela empolgação. A bolha da IA é o temor de que as ações de tecnologia já estejam caras demais para o lucro que a inteligência artificial vai gerar. Para o gestor Brendon Dashiell, da Bogart Wealth, ouvido pela Reuters, o problema é justamente esse: “o que torna esses nomes de IA mais vulneráveis é que eles já têm avaliações muito altas”.
A dúvida vale para os dois lados, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg e citados pelo site Invezz. Quando uma empresa gasta mais, o investidor teme que o retorno não venha. Quando gasta menos, teme que ela perca a corrida. A Tesla, por exemplo, cortou a previsão de investimentos de 2026 de mais de US$ 25 bilhões para cerca de US$ 20 bilhões e também caiu.

A bolha da IA pode estourar como a da internet?
Ninguém sabe, e a comparação mais citada é com a bolha das empresas pontocom. Segundo a Bloomberg Línea, o índice Nasdaq 100 subiu 718% entre agosto de 1995 e março de 2000, quando atingiu o recorde. Depois, até outubro de 2002, mais de 80% do valor da Nasdaq desapareceu, e o índice levou mais de 15 anos para voltar ao pico.
Há diferenças importantes, porém. Muitas pontocom de 2000 não tinham receita, enquanto Meta, Nvidia e Amazon dão lucro bilionário. Mesmo assim, uma queda de um dia não confirma bolha nenhuma. Ela mostra apenas que o investidor está mais nervoso e menos disposto a pagar qualquer preço por uma promessa. Quem investe em fundos de tecnologia deve olhar o prazo e o risco, e não o noticiário de um dia, como explica o guia do blog sobre as ações da Netflix.
O que isso muda para o Brasil e para o seu bolso?
Quando o investidor estrangeiro foge do risco, costuma tirar dinheiro de países emergentes, como o Brasil. Segundo a CNN Brasil, às 10h56 o Ibovespa caía 0,75%, para 204.874 pontos, e o dólar subia 0,31%, a R$ 5,04. Os investidores também acompanham as pesquisas para o segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25), e o resultado do Bradesco, previsto para depois do fechamento.

O petróleo caro pesa do mesmo jeito. Ele encarece combustível, frete e insumos importados, como o blog explicou ao falar dos ataques a petroleiros na Arábia Saudita. Por isso, um dia de pânico em Nova York pode chegar ao posto de gasolina e ao preço do eletrônico importado. Por enquanto, porém, os movimentos no Brasil são pequenos perto da queda das ações de tecnologia lá fora.
O recado do mercado nesta quinta-feira é simples: crescer já não basta para as gigantes da IA. Agora, elas precisam mostrar quando todo esse investimento vai virar lucro. Até lá, cada balanço pode reacender o medo de bolha.

Atualizações, novidades e bastidores da equipe do Resenha Rentável.
Ver biografia e artigos →


