Dois petroleiros são atacados na costa da Arábia Saudita
Um navio foi atingido por um projétil e outro por uma granada disparada de um barco pequeno, no Golfo Pérsico. Os ataques chegam com o barril perto de US$ 110 e o diesel subindo no Brasil.

Dois petroleiros foram atacados na sexta-feira (16) em águas do Golfo Pérsico, a nordeste da cidade saudita de Jubail. Os alertas saíram neste sábado (17) pelo UKMTO, o centro de operações marítimas do Reino Unido que monitora a navegação na região. As tripulações escaparam sem ferimentos, e ninguém assumiu a autoria até a noite deste sábado.
O episódio importa porque acontece numa das rotas de petróleo mais vigiadas do mundo, num momento em que o barril já está caro. Na sexta, o Brent, referência internacional, fechou a US$ 109,86. Além disso, os navios estavam do lado saudita do Golfo, longe do Estreito de Ormuz, onde se concentrava a maioria dos ataques das últimas semanas.
O que se sabe sobre os petroleiros atacados?
O primeiro navio foi atingido por um “projétil de origem desconhecida” a cerca de 68 milhas náuticas (126 km) de Jubail, segundo o alerta do UKMTO relatado pelo Arab Times. A tripulação foi retirada em segurança, e não houve registro de dano ao meio ambiente. De acordo com o site Voz, que cita uma empresa de segurança marítima, o impacto provocou falta de energia e um incêndio na casa de máquinas.
O segundo ataque ocorreu às 19h22 no horário de Greenwich (16h22 em Brasília), a cerca de 78 milhas náuticas (144 km) de Jubail. Segundo o comandante, uma granada lançada por foguete partiu de um barco pequeno e atingiu a parte de trás do navio, do lado esquerdo. Mesmo assim, toda a tripulação foi encontrada a salvo. Por enquanto, as autoridades investigam o caso e pedem que os navios da área naveguem com cautela.
Por que os ataques no Golfo preocupam?
O Golfo Pérsico é a saída do petróleo da Arábia Saudita, do Iraque, do Catar e dos Emirados Árabes. Antes da guerra, cerca de um quinto de todo o petróleo transportado por navio no mundo passava pelo Estreito de Ormuz, a porta de saída do Golfo. A guerra começou em 28 de fevereiro de 2026, com ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, e desde então a passagem vive sob ameaça. O blog explicou esse começo em como a guerra no Irã afeta o seu bolso.
Em outubro, os ataques a navios bateram recorde. Entre 28 de setembro e 5 de outubro, pelo menos 12 petroleiros foram atingidos dentro e perto do estreito, segundo a Reuters, num levantamento citado pelo The National. O Irã afirmou que aumentou os ataques em resposta ao bloqueio americano aos seus portos e às sanções mais duras do mês passado. Os ataques desta sexta, porém, não tiveram autoria confirmada.
Como ficou o preço do petróleo?
O barril subiu forte na sexta-feira. Segundo a Reuters, via Investing.com, o Brent chegou a tocar US$ 110, algo que não acontecia desde maio, e fechou em alta de 3,7%. Foi o maior fechamento desde 19 de maio. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, terminou o dia a US$ 101,41.
Além do Golfo, pesaram os ataques da Ucrânia a refinarias da Rússia e um míssil derrubado a caminho de Yanbu, porto saudita no Mar Vermelho usado para desviar de Ormuz. Para segurar os preços, a Agência Internacional de Energia aprovou a liberação de mais de 20 milhões de barris de combustível, ainda segundo a Reuters. Como os mercados estão fechados no fim de semana, a reação completa do barril aos ataques só aparece na segunda-feira (19).
O que os petroleiros atacados mudam para o Brasil?
O efeito mais direto chega pelo diesel. O Brasil importa cerca de 25% do diesel que consome, e a Arábia Saudita parou de fornecer o produto ao país em setembro, segundo o Poder360. Na mesma reportagem, de 10 de outubro, o presidente da Abicom, a associação dos importadores, disse que o abastecimento de outubro estava garantido, mas que os contratos para novembro ainda eram poucos.

Nas bombas, o diesel subiu pela quinta semana seguida, com média de R$ 6,98 o litro do comum e R$ 7,36 do S-10, ainda segundo o Poder360. Para aliviar, o governo criou uma subvenção de R$ 1,40 por litro no diesel importado. Por isso, cada nova alta do barril pressiona o frete, a comida e o preço de quase tudo que anda de caminhão, como o blog mostrou em o preço do diesel e o frete.
E a Petrobras?
Na bolsa, a alta do petróleo ajudou a estatal. Na sexta, a ação preferencial da Petrobras (PETR4) subiu 4,04% e terminou a semana com ganho de 5,75%, segundo o InfoMoney. Já o Ibovespa fechou o dia em alta de 0,54%, mas acumulou queda de 1,74% na semana. A escalada recente do valor da empresa está explicada em valor de mercado da Petrobras.
Em resumo, os dois petroleiros atacados não tiveram feridos nem vazamento, mas mostram que o risco saiu de Ormuz e chegou ao litoral saudita. A primeira resposta virá na abertura dos mercados, na segunda-feira, quando o preço do barril vai mostrar quanto o ataque assustou quem compra e vende petróleo.

Atualizações, novidades e bastidores da equipe do Resenha Rentável.
Ver biografia e artigos →


