Querosene de aviação sobe 7,2% e pressiona o preço das passagens
É o terceiro aumento seguido da Petrobras no combustível dos aviões. Veja quanto o litro já subiu em 2026, por que isso acontece e o que pode mudar no preço do seu voo.

O querosene de aviação ficou 7,2% mais caro no Brasil a partir deste domingo, 1º de novembro de 2026. A Petrobras subiu o preço do combustível vendido às distribuidoras em R$ 0,45 por litro, segundo o Metrópoles. É o terceiro aumento seguido, depois de altas de 13,9% em setembro e de 11,8% em outubro.
O reajuste importa porque o combustível é hoje o principal custo das companhias aéreas, com quase 40% do total. Por isso, cada aumento no litro vira pressão sobre o preço das passagens, justamente na reta final do ano, quando milhões de brasileiros compram voos para o Natal, o Ano-Novo e as férias de janeiro. Além disso, o novo preço chega numa semana de agenda cheia na economia, com a decisão do Banco Central sobre a taxa Selic marcada para quarta-feira.

Por que o querosene de aviação subiu de novo?
Segundo a Petrobras, o aumento foi provocado por “tensões militares e políticas no Oriente Médio e Europa”. Na prática, a estatal aponta dois motivos. O primeiro é o conflito no Oriente Médio, que encareceu o petróleo e os derivados no mundo inteiro desde o começo do ano, como o blog explicou na matéria sobre a guerra do Irã. O segundo é a queda na capacidade de refino da Rússia e da Ucrânia, que estão em guerra desde 2022 e produzem menos combustível.
Com menos oferta e mais procura, o preço internacional do querosene sobe. Assim, a Petrobras repassa parte dessa alta ao mercado brasileiro. A estatal revisa o valor no primeiro dia de cada mês, seguindo uma fórmula prevista em contrato. Segundo o Jornal do Comércio, essa fórmula suaviza as oscilações de curto prazo, e por isso os reajustes aqui costumam ser menores que os de fora.
Quanto o querosene de aviação já subiu em 2026?
A conta assusta. Até setembro, o combustível dos aviões já acumulava alta de 53,3% em relação a dezembro de 2025, ou R$ 1,94 a mais por litro, segundo dados da Petrobras publicados pelo O Povo. Depois disso vieram mais R$ 0,66 em outubro e R$ 0,45 agora.
Somando os três números, o litro vendido às distribuidoras saiu de cerca de R$ 3,64 no fim de 2025 para algo perto de R$ 6,69 em novembro. Ou seja, pela soma dos reajustes informados pela estatal, o querosene de aviação ficou cerca de 84% mais caro em dez meses. Esse é o preço na saída da Petrobras: até chegar ao avião, ainda entram margem das distribuidoras, transporte e impostos estaduais.
Para comparar, o mesmo movimento apareceu no preço do diesel, que também subiu com a guerra e afetou o frete. A diferença é que, no caso dos aviões, o combustível pesa ainda mais na conta final.
Quanto o combustível pesa no custo das companhias aéreas?
Muito. Segundo a Abear, a associação das companhias aéreas, o querosene passou a representar 39% dos custos do setor, contra 32% antes do início da guerra no Oriente Médio. O dado foi divulgado em agosto e citado pelo Diario de Pernambuco. Na mesma ocasião, a entidade calculou que a alta do petróleo aumentaria em R$ 5,2 bilhões o gasto das empresas com combustível em 2026.
Desde então, vieram mais três aumentos, de setembro a novembro. Por isso, a fatia do combustível nos custos tende a ter crescido ainda mais. Ainda assim, a própria Abear afirmou em agosto que o setor tentava absorver a alta sem repassar todo o custo aos passageiros.

A passagem aérea vai ficar 7,2% mais cara?
Não automaticamente. O preço do bilhete depende de vários fatores: procura, concorrência na rota, quantidade de assentos à venda e estratégia de cada empresa. Em outras palavras, um aumento de 7,2% no combustível não significa uma passagem 7,2% mais cara no dia seguinte.
Os números recentes mostram isso. No IPCA-15 de outubro, a prévia da inflação oficial calculada pelo IBGE, as passagens aéreas caíram 9,24%, segundo o Jornal do Comércio. Isso aconteceu mesmo depois de o querosene ter subido em setembro. Ou seja, no curto prazo a disputa por passageiros pode pesar mais que o custo.
No entanto, a pressão se acumula. Quando o combustível sobe mês após mês, as empresas costumam reagir com tarifas mais altas, menos promoções ou corte de voos menos lucrativos. Além disso, dezembro e janeiro são meses de procura forte, o que dá às companhias mais espaço para repassar custos.

O que o passageiro pode fazer agora?
A regra prática é antecipar. Quem já sabe a data da viagem de fim de ano tende a encontrar mais opções comprando antes, porque as tarifas mais baratas de cada voo costumam acabar primeiro. Depois, vale comparar aeroportos próximos e horários alternativos, já que a mesma rota pode ter preços bem diferentes em dias diferentes.
Também ajuda acompanhar alertas de preço nos sites de busca de passagens e evitar a semana do Natal e o primeiro fim de semana de janeiro, que costumam concentrar a procura. Por fim, quem paga parcelado deve olhar o custo total, porque juros no cartão podem anular qualquer economia na tarifa. Essa é a mesma lógica que explica por que está tudo caro mesmo com a inflação mais baixa: pequenos aumentos somados pesam no orçamento.
O querosene de aviação acumula três altas seguidas e ficou bem mais caro em 2026 por causa das guerras no Oriente Médio e na Europa. Já o efeito nas passagens não é imediato nem do mesmo tamanho, mas a conta das companhias aéreas ficou mais pesada justamente antes da temporada de viagens. O próximo reajuste da Petrobras sai em 1º de dezembro.

Atualizações, novidades e bastidores da equipe do Resenha Rentável.
Ver biografia e artigos →


