Economia

Por que o dólar subiu para R$ 5,50 depois da eleição

A moeda americana chegou a R$ 5,51 nesta terça, véspera da decisão do Copom, e o mercado já prevê um dólar mais caro no fim do ano. Veja os motivos e o efeito no seu bolso.

Redação 5 min de leitura
Foto: adrian vieriu/Pexels (licença Pexels)

Por que o dólar subiu tanto? A moeda americana passou de R$ 4,99 para mais de R$ 5,50 em pouco mais de uma semana, desde o segundo turno de 25 de outubro. Segundo analistas ouvidos pela imprensa, o mercado reagiu ao resultado da eleição e à dúvida sobre como ficam as contas públicas e os juros no próximo mandato.

Nesta terça-feira (3), primeiro dia útil depois do feriado de Finados, o dólar comercial chegou a R$ 5,515 por volta das 11h, segundo a cobertura ao vivo do InfoMoney. Além disso, a alta acontece na véspera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), o grupo do Banco Central que define a taxa básica de juros. Por isso, a semana virou um teste para o câmbio, para a bolsa e para quem planeja viajar ou comprar importados.

Quanto o dólar subiu desde a eleição?

A virada foi rápida. Na sexta-feira antes do segundo turno, 23 de outubro, o dólar fechou em R$ 4,993. Em seguida, na segunda-feira (26), ele saltou 8,21% e terminou o dia a R$ 5,4027, a maior alta diária desde janeiro de 1999, segundo o Campo Grande News. Naquele dia, a B3 chegou a acionar o circuit breaker, o freio de emergência que para todas as negociações da bolsa.

Depois disso, a pressão continuou. De acordo com a Forbes Brasil, o dólar acumulou alta de 9,15% na semana e fechou a sexta-feira (30) em R$ 5,4460, a maior cotação de fechamento de 2026. No mesmo período, o Ibovespa caiu 18,12%, a pior semana desde março de 2020, no começo da pandemia.

Painel da B3 em São Paulo, onde a bolsa caiu enquanto o dólar subiu
Painel da B3, em São Paulo: o Ibovespa teve na semana passada a maior queda semanal desde março de 2020. Foto: Rafael Matsunaga/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Por que o dólar subiu depois do segundo turno?

As explicações do mercado giram em torno das contas do governo. Para Nicolas Gass, sócio da GT Capital, ouvido pela Forbes Brasil, “o mercado tinha apostado numa troca de governo e numa virada fiscal”. Na leitura dele, a reeleição desfez essa aposta e reduziu a expectativa de mudança nas contas públicas, o que pressiona os juros longos. Ou seja, parte dos investidores refez as contas de uma vez só.

Outro fator é a saída de dinheiro estrangeiro. Segundo dados da B3 citados pela Forbes Brasil, cerca de R$ 7,6 bilhões de capital externo deixaram a bolsa nos três primeiros pregões depois da eleição. Quando um investidor estrangeiro vende ações e leva o dinheiro embora, ele troca reais por dólares, e essa procura empurra a cotação para cima.

Além disso, entrou no radar a proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real. Segundo a Gazeta do Povo, ele defende levar a Selic para cerca de 7,5% em aproximadamente 12 meses, com o argumento de que os juros altos são um dos principais responsáveis pelo crescimento do custo da dívida pública. Do outro lado, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou a ideia de “incipiente” e afirmou que “não há agenda nenhuma fixada com o presidente”, de acordo com o InfoMoney. Ele também disse que as nomeações para o Banco Central terão “rigor técnico”.

O que o mercado espera para o dólar até o fim do ano?

O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com economistas do mercado, mostrou a mudança nesta segunda-feira. A projeção para o dólar no fim de 2026 subiu de R$ 5,05 para R$ 5,34, segundo a Agência Brasil. Para 2027 e 2028, a estimativa ficou em R$ 5,40.

As outras projeções também pioraram. A inflação esperada para 2026 passou de 5,19% para 5,22%, e a de 2027 subiu de 4,34% para 4,76%, acima do teto da meta, que é de 4,5%. Enquanto isso, a previsão de crescimento do PIB em 2026 caiu de 1,8% para 1,76%. Vale lembrar que o Focus reúne expectativas, e não garante o que vai acontecer com a cotação.

O que o Copom tem a ver com a alta do dólar?

A Selic está hoje em 13,75% ao ano, e o Copom começou nesta terça a reunião que termina na quarta-feira (4). Segundo a Reuters, citada pelo InfoMoney, o mercado vê grande possibilidade de manutenção da taxa. Já o Focus passou a prever Selic de 13,5% no fim de 2026, contra 13,25% na semana anterior, o que indica menos cortes do que se esperava.

Sede do Banco Central em Brasília, onde o Copom decide a taxa Selic
Sede do Banco Central, em Brasília: o Copom anuncia a decisão sobre a Selic nesta quarta-feira (4). Foto: Jonas Pereira/Agência Senado (CC BY 2.0)

Na prática, juros altos costumam segurar o real, porque atraem investidores atrás de rendimento em títulos brasileiros. Por isso, qualquer sinal sobre o rumo da Selic mexe com o câmbio. Para entender como a taxa funciona, veja a explicação sobre a taxa Selic hoje. Fora do Brasil, o mercado também acompanha as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para esta terça.

Como o dólar mais caro afeta o seu bolso?

O efeito mais direto aparece em viagens internacionais, compras em sites estrangeiros e produtos importados, como celulares e eletrônicos. Além disso, o petróleo é negociado em dólar, então o câmbio pesa no custo dos combustíveis e do frete. Com o tempo, essa pressão pode chegar aos preços do mercado, como mostra a explicação sobre por que está tudo mais caro.

Nota de 20 reais, que compra menos com o dólar mais caro
Nota de R$ 20: com o dólar mais caro, o real compra menos lá fora. Foto: Oleg Yunakov/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Por outro lado, exportadores e quem tem renda em dólar ganham com a moeda americana mais forte. Para quem vai viajar, uma prática comum é comprar a moeda aos poucos, em vez de tudo de uma vez, para diluir as oscilações. Mesmo assim, ninguém sabe com certeza para onde vai a cotação nos próximos dias.

Em resumo, o dólar subiu porque o mercado refez as contas depois da eleição, tirou dinheiro do país e passou a esperar juros mais altos por mais tempo. A decisão do Copom nesta quarta e os sinais sobre a nova equipe econômica devem ditar o próximo passo do câmbio.

Redação

Atualizações, novidades e bastidores da equipe do Resenha Rentável.

Ver biografia e artigos →
Essa conversa continua no canal.Inscreva-se no YouTube