Economia

13º salário de 2026 sai sem Imposto de Renda até R$ 5 mil

A primeira parcela precisa cair até 30 de novembro. Na segunda, quem ganha até R$ 5 mil por mês fica livre do desconto do IR pela primeira vez. Veja as datas e a conta.

Redação 5 min de leitura
Foto: Ivo Brasil/Pexels

O 13º salário de 2026 tem a primeira parcela marcada para até 30 de novembro e chega com uma novidade: quem ganha até R$ 5 mil por mês não terá desconto de Imposto de Renda no benefício. É o primeiro 13º pago depois da reforma do IR, que zerou o imposto nessa faixa desde janeiro.

O tema volta agora porque novembro é o mês do primeiro pagamento para milhões de trabalhadores com carteira assinada. Além disso, o dinheiro chega numa época de contas acumuladas, compras de Natal e promoções como a Black Friday. Por isso, vale entender quando cada parcela cai, quanto vem em cada uma e o que muda no desconto deste ano.

Quando cai o 13º salário em 2026?

A primeira parcela pode ser paga entre fevereiro e 30 de novembro, que neste ano cai numa segunda-feira, segundo a Exame. Na prática, muitas empresas deixam para o fim do prazo. Já a segunda parcela tem como limite legal o dia 20 de dezembro. Como esse dia cai num domingo em 2026, o pagamento precisa sair até a sexta-feira, 18 de dezembro.

As regras estão na Lei 4.749, de 1965. Ela não deixa o pagamento ficar para depois do prazo, então a empresa precisa antecipar quando a data cai em fim de semana. Por outro lado, a empresa não precisa pagar todos os funcionários no mesmo dia, desde que respeite o limite, de acordo com o SBT News.

Trabalhador numa fábrica no Brasil, que recebe o 13º salário
Soldador numa fábrica no Brasil: quem tem carteira assinada recebe o 13º salário (imagem ilustrativa). Foto: Felipe Silva/Pexels (imagem ilustrativa)

Quem tem direito ao 13º salário?

Tem direito quem trabalha com carteira assinada, incluindo empregados domésticos e quem foi contratado no meio do ano. Nesse caso, o valor é proporcional aos meses trabalhados. Cada mês conta como 1/12 do benefício quando a pessoa trabalhou pelo menos 15 dias nele. Por exemplo, quem ganha R$ 3 mil e trabalhou seis meses recebe R$ 1.500 de 13º.

Quem pede demissão ou é demitido sem justa causa também recebe a parte proporcional na rescisão. Já quem é demitido por justa causa perde esse direito. Os aposentados e pensionistas do INSS seguem outra regra: em 2026, o governo antecipou o benefício deles para as folhas de abril e maio. Assim, só quem começou a receber o benefício depois disso ganha o 13º em novembro.

Quanto vem em cada parcela?

A primeira parcela corresponde a cerca de metade do salário e não tem nenhum desconto. É a parte “cheia”. Depois, na segunda parcela, a empresa desconta a contribuição ao INSS e, quando houver, o Imposto de Renda, calculados sobre o valor total do 13º. Por isso, a segunda parcela costuma ser bem menor que a primeira.

Quem já recebeu o adiantamento nas férias, a pedido feito em janeiro, não ganha uma nova primeira parcela em novembro. Mesmo assim, pode haver diferença a receber em dezembro, por causa de reajuste salarial, horas extras ou comissões. Essas verbas de natureza salarial entram na conta do benefício.

Por que o 13º salário de 2026 vem sem Imposto de Renda?

A mudança vem da Lei 15.270, sancionada em novembro de 2025, que criou uma redução no imposto de quem ganha até R$ 5 mil por mês. O desconto é de até R$ 312,89 mensais, o valor exato que zera o IR nessa faixa. Segundo o Ministério da Fazenda, “a regra também se aplica ao 13º salário”. O governo estima que 16 milhões de pessoas sejam beneficiadas.

O efeito só aparece agora porque o 13º tem tributação exclusiva. Ou seja, o imposto é calculado à parte, sem somar o benefício ao salário do mês. Além disso, ele é cobrado de uma vez, na segunda parcela. Assim, o trabalhador que recebeu o salário sem IR o ano todo vai ver, em dezembro, o primeiro 13º também sem esse desconto. O blog explicou a mudança no imposto em detalhes na matéria sobre a isenção do IR até R$ 5 mil.

Pessoa faz a conta do 13º salário e do Imposto de Renda
Conta do 13º: o desconto do Imposto de Renda só aparece na segunda parcela (imagem ilustrativa). Foto: Kaboompics.com/Pexels (imagem ilustrativa)

Como fica a conta do 13º salário na prática?

Um exemplo ajuda. Para um 13º de R$ 5 mil, a primeira parcela é de R$ 2.500, sem desconto. Na segunda, sai a contribuição ao INSS, de R$ 501,51 pela tabela de 2026, e o Imposto de Renda fica zerado. Com isso, o depósito de dezembro é de R$ 1.998,49. A conta foi publicada pelo InvestNews e reproduzida pelo Click Petróleo e Gás.

Entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o desconto é parcial e diminui conforme a renda sobe. A fórmula oficial é R$ 978,62 menos 0,133145 vezes a renda mensal. Para quem ganha R$ 6 mil, por exemplo, a redução fica em R$ 179,75. Acima de R$ 7.350, nada muda: o imposto segue a tabela normal.

O que fazer com o dinheiro do 13º?

Não existe resposta única, porque depende da situação de cada um. Ainda assim, o 13º costuma ser a maior entrada extra do ano para quem é CLT. Quem tem dívida com juros altos, como cartão de crédito e cheque especial, pode usar parte do valor para reduzir esse peso. Afinal, os juros dessas linhas costumam ficar muito acima da taxa Selic, que serve de piso para o crédito no país.

Shopping decorado para o Natal, época em que o 13º salário entra na conta
Shopping decorado para o Natal: o 13º chega junto com as compras de fim de ano (imagem ilustrativa). Foto: Anna Bu/Pexels (imagem ilustrativa)

Para quem está com as contas em dia, o benefício pode virar reserva de emergência ou ajudar nas despesas que chegam em janeiro, como IPVA, IPTU e material escolar. Em todos os casos, vale conferir o valor no holerite e lembrar que a segunda parcela vem menor por causa dos descontos.

Em resumo, o 13º de 2026 segue o calendário de sempre, com a primeira parcela até 30 de novembro e a segunda até 18 de dezembro. A diferença está na segunda parcela: para quem ganha até R$ 5 mil, o Imposto de Renda deixa de morder o benefício pela primeira vez.

Redação

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