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Venda da Farm Rio atrai 15 propostas e ações da Azzas disparam

Fundos e grupos internacionais de moda ofereceram de R$ 3,5 bilhões a R$ 4 bilhões pela marca carioca. Os donos querem mais. Veja o que está em jogo.

Redação 5 min de leitura
Foto: marciookabe/Flickr (CC BY 2.0)

A venda da Farm Rio atraiu 15 propostas não vinculantes, com valores entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões pela marca carioca, segundo o jornal Valor Econômico. A notícia saiu na quarta-feira (1º) e fez as ações da Azzas 2154, dona da Farm, fecharem o dia em alta de 7,02%, a R$ 18,60, de acordo com o InfoMoney.

O assunto importa porque a Farm virou a marca mais valiosa de um dos maiores grupos de moda do país. Além disso, a disputa acontece logo depois de a Azzas anunciar que vai se dividir em duas empresas. Proposta não vinculante, vale explicar, é uma oferta inicial: mostra interesse e um preço de referência, mas não obriga ninguém a fechar negócio.

Quem quer comprar a Farm Rio e por quanto?

Os interessados são fundos de investimento e grupos internacionais de moda, segundo a reportagem do Valor repercutida pelo Seu Dinheiro. Os nomes não foram divulgados. As ofertas ficaram entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões, abaixo da faixa de R$ 4,5 bilhões a R$ 5,5 bilhões que os acionistas esperavam.

O pacote em negociação inclui as marcas Farm Rio, Farm Brasil, Farm Internacional e Fábula, de acordo com o Money Times. Durante o pregão, as ações chegaram a subir mais de 8%. Até a publicação da reportagem do InfoMoney, a Azzas não havia comentado as informações.

Por que a Azzas quer vender a Farm Rio?

A ideia de vender começou em junho de 2026, quando a Azzas contratou o banco Morgan Stanley para avaliar alternativas para a marca, com o objetivo de “destravar valor”. Em setembro, depois de uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a empresa respondeu à CVM, a xerife do mercado de capitais. Na resposta, disse que “mantém contato com potenciais interessados nos ativos relacionados à Farm Rio”, mas que não havia proposta vinculante nem decisão tomada, segundo o Money Times.

Na prática, “destravar valor” significa mostrar ao mercado quanto a marca vale sozinha. Segundo o banco Safra, numa análise citada pela Suno, uma venda nessa faixa serviria de referência para avaliar as outras marcas do grupo. Ou seja, se uma marca isolada vale bilhões, o mercado passa a olhar o grupo inteiro de outro jeito.

Quanto vale a Farm Rio hoje?

A Farm nasceu em 1997, num estande da Babilônia Feira Hype, no Rio de Janeiro, criada por Kátia Barros e Marcello Bastos. Em 2025, a grife faturou cerca de R$ 3,4 bilhões, com 40% vindo do exterior, segundo a Exame. A marca tem mais de 130 lojas no Brasil e 18 unidades fora do país, e responde por cerca de 25% da receita da Azzas.

Painel conta como a Farm Rio começou num estande de feira antes da venda bilionária
Painel em espaço da Farm conta a origem da marca, que começou num estande de feira. Foto: marciookabe/Flickr (CC BY 2.0)

A virada internacional começou em 2019, com a primeira loja em Nova York. Desde então, a marca abriu endereços em cidades como Los Angeles, Paris e Londres e, em 2026, montou lojas de verão em Marbella, Capri, Saint-Tropez e Ibiza. Esse avanço lá fora ajuda a explicar o interesse de grupos estrangeiros, num momento em que a marca país do Brasil entra no radar de investidores e consumidores de fora.

O que muda com a separação da Azzas?

A Azzas 2154 nasceu em 2024, da fusão entre a Arezzo&Co, de Alexandre Birman, e o Grupo Soma, de Roberto Jatahy. Em 2 de setembro de 2026, os dois anunciaram um acordo para dividir a companhia em duas empresas listadas na bolsa, segundo o Seu Dinheiro. A divisão ainda depende de conselhos, assembleias, Cade e B3.

Pelo acordo, a nova Arezzo&Co fica com marcas como Arezzo, Schutz, Vans e Hering. Já a nova Soma leva Animale, Maria Filó, Reserva e Oficina, entre outras. A Farm ficou numa espécie de guarda compartilhada: 57,4% para a Arezzo&Co e 42,6% para a Soma. Por isso, uma venda da marca resolveria também a parte mais difícil da separação, que é dividir a joia do grupo.

O que a venda da Farm Rio significa para quem tem ações da Azzas?

Antigo prédio da Bovespa, em São Paulo, onde a venda da Farm Rio mexeu com as ações da Azzas
Fachada do antigo prédio da Bovespa, no centro de São Paulo. Foto: Wilfredor/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Para o investidor, a principal mudança é de referência de preço. Segundo o InfoMoney, analistas do JPMorgan viram a notícia como positiva e como sinal de avanço no processo. O Safra também classificou a informação como positiva. No entanto, uma proposta não vinculante não garante venda, e o preço final pode mudar bastante até a assinatura. Este texto não é recomendação de compra ou venda de ações, e quem investe deve considerar os riscos antes de qualquer decisão.

Há ainda uma questão de imagem. A Farm é uma das marcas brasileiras mais conhecidas no exterior, e a chegada de um dono estrangeiro faria dela mais um caso de marca nacional sob controle de fora. Marcas com identidade cultural forte viraram ativos disputados no mundo todo, como mostra o caso da onda coreana.

Quais são os próximos passos da venda?

As propostas vinculantes, aquelas que obrigam o comprador se aceitas, devem chegar ao longo de outubro, segundo o Seu Dinheiro. Mesmo assim, de acordo com o InfoMoney, a varejista não tem pressa para concluir o negócio. Em seguida, qualquer acordo ainda precisaria passar pelos órgãos de defesa da concorrência.

Em resumo, a Farm que começou num estande de feira no Rio agora vale, na mesa de negociação, de R$ 3,5 bilhões a R$ 4 bilhões. A distância entre o que os compradores oferecem e o que os donos querem é o que vai definir se a marca troca de mãos ainda este ano.

Redação

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