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Viagem

Quais são as cidades mais caras do mundo para viver em 2026

Zurique lidera quando a conta é o dia a dia, e Singapura quando a conta é a vida de luxo. São Paulo aparece em 12º num dos rankings, à frente de Dubai.

Pedro Paracampos 5 min de leitura
Foto: sdh_zh/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

As cidades mais caras do mundo para viver em 2026 são Zurique, quando a conta é o custo do dia a dia, e Singapura, quando a conta é manter um padrão de vida de luxo. A resposta muda conforme o ranking, porque cada um mede uma coisa diferente. Em comum, os dois mostram a Suíça e a Ásia rica no topo.

A pergunta interessa a quem pensa em morar fora, trabalhar em outro país ou só planejar uma viagem sem susto no cartão. Além disso, os rankings ajudam a entender um fenômeno que mexe com qualquer orçamento: o peso da moeda. Quando o franco suíço ou o euro ficam fortes, as cidades desses países sobem na lista, mesmo que os preços locais mudem pouco.

Quais são as cidades mais caras do mundo no dia a dia?

O ranking mais usado para o custo do cotidiano é o do Numbeo, um site que reúne preços informados por moradores do mundo todo. Na edição de 2026, divulgada em janeiro, as seis primeiras posições ficaram com cidades suíças, segundo a Time Out. Zurique lidera, seguida de Genebra, Basileia, Lausanne, Lugano e Berna.

Depois vêm Nova York, em 7º lugar, Reykjavik, na Islândia, em 8º, Honolulu, no Havaí, em 9º, e San Francisco, em 10º. O índice usa Nova York como base, com nota 100. Assim, Zurique marcou 118,5 pontos, ou seja, o custo de vida lá é cerca de 18% maior que o da maior cidade americana. Nos restaurantes, a nota de Zurique chega a 121, e no supermercado, a 115,4.

Notas de franco suíço, moeda que ajuda a explicar as cidades mais caras do mundo
Notas de franco suíço: a moeda forte ajuda a explicar por que as cidades da Suíça lideram os rankings. Foto: Tony Webster/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Por que a Suíça domina o ranking?

A explicação passa pelo salário e pela moeda. O Numbeo também mede o poder de compra local, isto é, quanto o salário médio da cidade consegue comprar. Nesse quesito, Zurique marcou 164,4 pontos, bem acima dos 100 de Nova York, segundo a Time Out. Na prática, tudo é caro, mas quem ganha em franco suíço consegue pagar a conta com mais folga.

Para o turista ou para quem chega com salário em real, porém, a história é outra. O franco é uma das moedas mais fortes do mundo, e isso encarece cada café, passagem de trem ou aluguel. Vale lembrar um detalhe do método: o índice principal do Numbeo soma mercado, restaurantes, transporte e contas da casa, mas não inclui o aluguel, que aparece numa conta separada, como explica o blue News. Por isso, cidades com moradia caríssima, como Nova York e San Francisco, podem subir ainda mais quando o aluguel entra na conta.

E as cidades mais caras do mundo para quem vive no luxo?

Aqui o ranking de referência é o do banco suíço Julius Baer. O Global Wealth and Lifestyle Report 2026, publicado em julho, compara 20 produtos e serviços de alto padrão em 25 cidades, de imóveis e carros a joias, relógios, hotéis e restaurantes. A coleta de preços terminou em fevereiro de 2026.

Singapura ficou em 1º lugar pelo quarto ano seguido. Zurique subiu três posições e ficou em 2º, e Mônaco entrou pela primeira vez no top 3. Em seguida, Hong Kong caiu para o 4º lugar e Londres, para o 5º, segundo o banco. Xangai, Sydney e Bangkok também estão entre as dez mais caras, e Sydney foi a que mais subiu: seis posições, até o 8º lugar. Já Nova York é a mais cara das Américas.

Comparação das cidades mais caras do mundo nos rankings do Numbeo e do Julius Baer em 2026

Por que Singapura é tão cara?

O relatório aponta os preços altos de imóveis residenciais e de carros, somados à força do dólar de Singapura, segundo a WealthBriefing. O carro é um caso à parte. Para registrar um veículo, o morador precisa comprar em leilão do governo um certificado chamado COE.

Em 9 de setembro de 2026, o certificado para carros pequenos e elétricos bateu o recorde de 133.009 dólares de Singapura, segundo o jornal The Straits Times, reproduzido pelo The Star. Esse valor é só a licença, sem contar o carro. Mônaco segue a mesma lógica, com imóveis caríssimos e o euro forte, de acordo com a WealthBriefing.

Singapura, a primeira entre as cidades mais caras do mundo para o padrão de luxo
O centro financeiro de Singapura, na Marina Bay: a cidade lidera o ranking de luxo pelo quarto ano. Foto: Bijay Chaurasia/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Onde São Paulo aparece no ranking?

No ranking de luxo do Julius Baer, São Paulo subiu para o 12º lugar em 2026, à frente de Dubai, que caiu para o 14º. Segundo o banco, a alta veio do forte aumento de preços locais e do movimento do câmbio. Em outras palavras, manter um padrão de vida de alto luxo na capital paulista já custa mais do que em Dubai, de acordo com a cesta do relatório.

O mesmo estudo mostra que o luxo ficou mais caro no mundo todo. Em média, o custo da vida de alto padrão subiu 10,2% em dólares. Na Europa, a alta foi de 14,1%, e na Ásia-Pacífico, de 7,4%. As joias subiram 16,4% e os relógios, 15,5%, puxados pelo ouro, cujo preço mais que dobrou desde 2024.

Mônaco, que entrou no top 3 das cidades mais caras do mundo para o padrão de luxo
O porto e o rochedo de Mônaco, que entrou pela primeira vez no top 3 do ranking de luxo. Foto: Tobi 87/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

E os países mais caros para viver?

Quando a comparação é por país, o topo muda de novo. Num levantamento do Visual Capitalist com dados do Numbeo, publicado em março pelo idealista, Bermudas lidera, seguida das Ilhas Virgens Americanas, da Suíça, de Jersey e de Singapura. Os Estados Unidos aparecem só em 19º, e Portugal, em 51º.

A lição é que lugares pequenos, ricos e que importam quase tudo tendem a ser os mais caros. Para o brasileiro, a conta ainda passa pelo câmbio, como explicamos ao mostrar por que o real cai antes da eleição. A reputação de cada país também pesa, como contamos na matéria sobre marca país.

No fim, não existe uma única cidade mais cara do mundo. Zurique pesa mais no bolso de quem faz compras no mercado e janta fora, enquanto Singapura pesa mais em quem compra imóvel, carro e relógio. Em todos os rankings, o câmbio tem um papel enorme na conta, e é ele que decide quanto custa, em reais, cada um desses lugares.

Pedro Paracampos

Roteirista e produtor. Chamado pela imprensa de “prodígio do cinema”. Cofundador do Resenha Rentável.

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