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Opinião

Deputados federais mais votados têm dois nomes acima de 3 milhões

Veja os 20 deputados federais mais votados do Brasil em 2026, com estado, partido e votos, e entenda por que ter muito voto não garante uma vaga na Câmara.

Redação 4 min de leitura
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)

Os deputados federais mais votados de 2026 são Nikolas Ferreira (PL), de Minas Gerais, com 3.119.318 votos, e Lucas Pavanato (PL), de São Paulo, com 3.038.438, segundo os resultados oficiais do TSE. Os dois passaram de 3 milhões de votos e superaram o antigo recorde da Câmara. Em terceiro lugar ficou Erika Hilton (PSOL), de São Paulo, com 1.596.472 votos.

O recorde anterior era de Eduardo Bolsonaro, que teve 1,84 milhão de votos em São Paulo em 2018, de acordo com o jornal O Tempo. Antes dele, a marca era de Enéas Carneiro, com 1,57 milhão em 2002. Em 2022, Nikolas já tinha sido o mais votado do país, com cerca de 1,4 milhão de votos, segundo o Metrópoles. Os números deste texto são do TSE e foram conferidos às 4h23 desta segunda-feira (5).

Gráfico com os 10 deputados federais mais votados de 2026 e seus votos

Quem são os deputados federais mais votados do Brasil?

Depois dos três primeiros, aparecem André Fernandes (PL), do Ceará, com 684.372 votos, e Sâmia Bomfim (PSOL), de São Paulo, com 583.107. Em seguida vêm Julia Zanatta (PL), de Santa Catarina, com 560.223, e Ana Elisa (PT), de Minas Gerais, com 524.219. Fecham os dez primeiros Kim Kataguiri (Missão), de São Paulo, com 520.071, Tabata Amaral (PSB), também de São Paulo, com 476.383, e Jeffrey Chiquini (Novo), do Paraná, com 425.399.

Do 11º ao 20º lugar, a lista segue com Lucas Polese (PL-ES), com 419.735 votos, e Delegado Caveira (PL-PA), com 414.927. Depois aparecem Maurício Marcon (PL-RS), com 379.834, Renato Bolsonaro (PL-SP), com 379.312, e Sargento Nantes (PP-SP), com 333.401. Por fim, estão Jader Filho (MDB-PA), com 326.617, Delegado Palumbo (Podemos-SP), com 303.271, Fernanda Melchionna (PSOL-RS), com 280.262, Guilherme Cortez (PSOL-SP), com 275.450, e Dra. Alessandra Haber (Podemos-PA), com 272.856.

Os mais votados já estão eleitos?

Nos estados em que a totalização terminou, sim. O TSE já marcava como eleitos André Fernandes, Julia Zanatta, Jeffrey Chiquini, Lucas Polese, Delegado Caveira, Maurício Marcon, Jader Filho, Fernanda Melchionna e Dra. Alessandra Haber. Todos aparecem como “eleito por QP”, ou seja, pelo quociente partidário, a conta que define quantas vagas cada partido ganhou.

Em São Paulo e em Minas Gerais, porém, o TSE ainda não tinha marcado a situação final dos candidatos a deputado federal até as 4h23. Por isso, nomes como Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e Erika Hilton aparecem aqui como os mais votados, mas sem a confirmação oficial da eleição. Só São Paulo elege 70 das 513 cadeiras da Câmara, segundo a Gazeta de S.Paulo.

Plenário da Câmara dos Deputados, onde os deputados federais mais votados vão trabalhar
Deputados no plenário Ulysses Guimarães, na Câmara dos Deputados, em Brasília. Foto: José Cruz/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)

Por que ter mais voto não garante vaga na Câmara?

A eleição para deputado federal é proporcional. Isso quer dizer que as vagas vão primeiro para os partidos e só depois para as pessoas. O voto em um candidato conta também para o partido dele, e é a soma do partido que define quantas cadeiras ele leva.

O primeiro passo é o quociente eleitoral: o total de votos válidos do estado dividido pelo número de vagas, segundo o TSE. Depois vem o quociente partidário, que é o total de votos de cada partido dividido pelo quociente eleitoral. O resultado mostra quantas vagas o partido ganha, e elas vão para os seus candidatos mais votados.

Por isso, um candidato com muitos votos pode ficar de fora se o partido dele não somou o suficiente. Ao mesmo tempo, um candidato com poucos votos pode entrar, puxado pelos votos dos colegas de partido. Há, porém, um limite: para ficar com a vaga, o candidato precisa ter pelo menos 10% do quociente eleitoral. Nas vagas que sobram, distribuídas pela maior média, o partido precisa ter 80% do quociente, e o candidato, 20%, ainda segundo o TSE.

Quanto vale o voto de um campeão de votos?

Um exemplo ajuda a entender. Segundo a Gazeta de S.Paulo, São Paulo teve 23.670.757 votos válidos para deputado federal. Dividido pelas 70 vagas, isso dá um quociente eleitoral de cerca de 338 mil votos.

Na prática, os 3.038.438 votos de Lucas Pavanato equivalem a quase nove quocientes eleitorais. Como só uma vaga é dele, o restante fica para o partido e ajuda a eleger outros candidatos da mesma legenda. É o chamado efeito puxador de votos. O mesmo vale para os votos de Nikolas Ferreira em Minas Gerais e de Erika Hilton em São Paulo.

Plenário Ulysses Guimarães durante sessão, com deputados federais em seus lugares
Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão do Congresso Nacional. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado (CC BY 2.0)

Quando os novos deputados tomam posse?

Os deputados eleitos tomam posse em 1º de fevereiro de 2027, para um mandato de quatro anos, segundo o jornal O Povo. No total, são 513 cadeiras. Para entender o que faz um deputado e no que ele se diferencia de um senador, veja a diferença entre deputado e senador. Já o salário de cada cargo está em quanto ganha cada político.

A lista final dos 513 eleitos só fica completa quando o TSE terminar a totalização em todos os estados. Até lá, o recorde já está garantido: pela primeira vez, dois candidatos a deputado federal passaram de 3 milhões de votos na mesma eleição.

Redação

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