Globo cancela debate presidencial após decisões judiciais
A emissora diz que as ordens do TSE e do STF, dadas horas antes, causaram insegurança jurídica. Lula já tinha trocado o debate por uma entrevista ao Flow, e Flávio Bolsonaro também desistiu.

A TV Globo cancelou o debate entre os candidatos à Presidência da República que estava marcado para as 21h30 desta quinta-feira (1º). Em nota, a emissora disse que “as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais”, segundo O Antagonista.
O debate seria o último encontro dos candidatos na TV antes do primeiro turno, que acontece neste domingo (4). Ao longo do dia, porém, duas decisões da Justiça mudaram as regras do programa, e dois candidatos anunciaram que não iriam.
O que diz a nota da Globo?
Na íntegra, a emissora afirmou: “A Globo tem longa tradição na organização de debates eleitorais. Nosso propósito é promover a discussão de ideias para o Brasil. Oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos. Nosso dever é o de promover a democracia. Mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais. Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite.”
O que o TSE decidiu?
A primeira decisão veio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A ministra Estela Aranha proibiu a Globo de mostrar o púlpito vazio do candidato ausente e vetou que os outros candidatos fizessem perguntas a ele durante o programa, segundo o Terra.
O candidato ausente era o presidente Lula (PT), que já tinha avisado que não iria ao debate. Na decisão, a ministra afirmou que essas regras poderiam criar “situação de desequilíbrio entre os participantes”, de acordo com o Terra. Essas regras tinham sido combinadas antes, no acordo assinado entre a emissora e as campanhas, segundo o Maurílio Júnior.
O que Gilmar Mendes decidiu?
A segunda decisão veio do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Gilmar Mendes mandou a Globo incluir no debate o candidato Renan Santos, do partido Missão, segundo o Terra. Para o ministro, a exclusão dele era “indevida”, e a participação ajudaria os eleitores a comparar as propostas.
O pedido foi feito pelo partido Solidariedade, numa ação apresentada em maio, de acordo com o Terra. A Globo vinha usando como critério o tamanho da bancada no Congresso: só eram convidados candidatos de partidos com pelo menos cinco parlamentares, e o Missão tem um, segundo o Maurílio Júnior.
Quem já tinha desistido?
Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que não iria cerca de 30 minutos depois da decisão do TSE. “Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE”, disse ele, segundo o Terra.
Já Lula tinha decidido, antes das decisões judiciais, dar uma entrevista ao Flow Podcast na mesma noite. A conversa estava marcada para as 20h45, 45 minutos antes do horário previsto para o debate, de acordo com o Terra. A entrevista é transmitida de graça nos canais do podcast na internet.
O que acontece agora?
Com o cancelamento, os candidatos à Presidência chegam ao primeiro turno, no domingo (4), sem o tradicional último debate da TV Globo. A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV vai até esta quinta-feira (1º), três dias antes da votação, como prevê a lei eleitoral.
Para saber quem são todos os candidatos, com partido, número e perfil, veja a página de candidatos no menu Eleições 2026, aqui no site.

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