A história da Pixar, que quase faliu antes de Toy Story
Antes de virar o estúdio de US$ 1 bilhão por filme, a Pixar vendia computador caro que ninguém comprava e vivia do bolso de Steve Jobs. Veja como o jogo virou.

A história da Pixar começa longe do cinema: o estúdio de Toy Story nasceu como uma empresa de computadores que dava prejuízo atrás de prejuízo. Durante quase dez anos, quem pagou a conta foi Steve Jobs. Só com Toy Story, em 1995, o negócio virou, e em 2006 a Disney comprou a Pixar por US$ 7,4 bilhões.
A trajetória ganhou novo capítulo em 2026. Toy Story 5 passou de US$ 1 bilhão nas bilheterias, enquanto a Disney cortou funcionários do estúdio. Por isso, vale entender como uma empresa que quase fechou virou uma das marcas mais lucrativas do cinema, e por que até ela vive de altos e baixos.
Como começou a história da Pixar?
A Pixar saiu da divisão de computação gráfica da Lucasfilm, a produtora de George Lucas. Depois de sair da Apple, em 1985, Steve Jobs comprou essa divisão por US$ 10 milhões, segundo a Biography.com. No começo, porém, o plano não era fazer filmes.
O produto principal era o Pixar Image Computer, uma máquina para criar e tratar imagens. Ela custava US$ 135 mil, e só cerca de 100 unidades foram vendidas, a maioria para hospitais e agências de inteligência. Em outras palavras, era um produto caro demais para um mercado pequeno demais. Enquanto isso, um pequeno grupo liderado pelo animador John Lasseter fazia curtas-metragens animados por computador, quase como vitrine da tecnologia.

Quanto dinheiro Steve Jobs perdeu com a Pixar?
Muito. Segundo a NPR, rádio pública americana, Jobs perdeu mais de US$ 1 milhão por ano nos primeiros cinco anos. Até 1991, ele já tinha colocado cerca de US$ 50 milhões do próprio bolso no estúdio, segundo a Biography.com. Depois, Jobs vendeu a parte de hardware, e a empresa passou a viver de software, comerciais e curtas.
“Eu continuava colocando mais dinheiro, e o único ponto positivo eram os curtas do John”, disse Jobs, segundo a Biography.com. A situação apertou ainda mais em 1994. Segundo o Computer History Museum, quando o executivo Lawrence Levy chegou à Pixar, no fim daquele ano, a empresa acumulava um prejuízo de US$ 50 milhões, não tinha lucro nem caixa, e Jobs pagava a folha de salários com cheques pessoais.
Como a Disney entrou no negócio?
A virada começou em 1991. Naquele ano, a Disney topou financiar e distribuir o primeiro longa da Pixar. Jobs negociou um acordo de três filmes que dava ao estúdio 12,5% da bilheteria, segundo a Biography.com. Ou seja, a Disney ficava com a maior parte, mas a Pixar finalmente tinha um cliente grande.
O resultado foi Toy Story, o primeiro longa do estúdio. O filme estreou em novembro de 1995 e faturou cerca de US$ 362 milhões no mundo, a maior bilheteria daquele ano, segundo a NPR. Para quem gosta de números de cinema, vale ver também qual é o filme de maior bilheteria da história.
Como Toy Story salvou a Pixar?
Toy Story salvou a Pixar duas vezes: nas telas e na bolsa. Uma semana depois da estreia, Jobs abriu o capital da empresa. As ações foram vendidas a US$ 22 e fecharam o primeiro dia a US$ 39, alta de cerca de 77%, segundo a agência UPI na época. A oferta levantou US$ 132 milhões, e a fatia de cerca de 80% de Jobs passou a valer perto de US$ 1 bilhão.
Mesmo assim, o caminho não foi reto. Segundo o Computer History Museum, os bancos Morgan Stanley e Goldman Sachs tinham recusado coordenar a oferta, por acharem que a Pixar não tinha potencial de crescimento. Além disso, três semanas depois da estreia na bolsa, a ação já tinha caído para US$ 12. Com o sucesso do filme, porém, a Pixar ganhou força para renegociar com a Disney. Em 1997, as duas fecharam um acordo de cinco filmes, agora dividindo custos e lucros meio a meio.
Por quanto a Disney comprou a Pixar?
Em janeiro de 2006, a Disney anunciou a compra da Pixar por US$ 7,4 bilhões, pagos em ações. Segundo a reportagem da Associated Press publicada pelo Deseret News, Jobs tinha mais da metade das ações da Pixar e, com o negócio, virou o maior acionista individual da Disney, além de ganhar uma cadeira no conselho.
O acordo também mudou o comando da animação da Disney. Ed Catmull, que comandava a Pixar, virou presidente dos estúdios de animação da Pixar e da Disney. Lasseter assumiu o cargo de diretor de criação. Na época, filmes como Procurando Nemo e Os Incríveis já tinham ganhado o Oscar de animação. Quem acompanha o blog vai notar o padrão: três anos depois, a Disney repetiria a estratégia ao comprar a Marvel.
Como está a Pixar em 2026?
Com Toy Story 5, a Pixar chegou ao sexto filme com mais de US$ 1 bilhão de bilheteria, segundo a Cartoon Brew. Os outros são Toy Story 3, Procurando Dory, Os Incríveis 2, Toy Story 4 e Divertida Mente 2. Até o começo de outubro, o novo filme somava cerca de US$ 1,15 bilhão no mundo, com orçamento de US$ 250 milhões, segundo o site The Numbers).
Por outro lado, os filmes originais sofrem mais. Segundo o site TheWrap, citado pelo tbreak, a Disney demitiu centenas de funcionários em julho de 2026, inclusive na Pixar. A mesma reportagem diz que Hoppers, animação original lançada em março, fez US$ 389,5 milhões no mundo com orçamento de US$ 150 milhões, perto do ponto de equilíbrio. A Disney não detalhou os cortes e falou apenas em avaliação contínua de recursos.
Quarenta anos depois da compra por US$ 10 milhões, a Pixar segue como um dos estúdios mais valiosos do cinema, mas com o mesmo dilema do começo: a aposta em algo novo custa caro e nem sempre se paga logo. A diferença é que, hoje, Woody e Buzz ajudam a pagar a conta. Para conhecer melhor o homem que bancou o estúdio nos anos difíceis, veja a história de Steve Jobs.

Diretor e produtor. Apontado pela imprensa como uma das jovens promessas de Hollywood. Cofundador do Resenha Rentável.
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