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Economia

Petrobras acha petróleo na Foz do Amazonas pela segunda vez

O poço Morpho, a 175 km da costa do Amapá, encontrou um segundo reservatório. A empresa fala em nova fronteira, mas ainda não sabe se dá para produzir, e o MPF tenta suspender a licença.

Redação 5 min de leitura
Foto: Divulgação Petrobras/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)

A Petrobras encontrou petróleo na Foz do Amazonas pela segunda vez. A presidente da empresa, Magda Chambriard, anunciou nesta sexta-feira (2) que o poço Morpho, a 175 quilômetros da costa do Amapá, achou um segundo reservatório, mais fundo que o primeiro, descoberto em agosto. Mesmo assim, a empresa ainda não sabe se a produção vai valer a pena.

O anúncio importa porque a região é vista como a nova fronteira do petróleo brasileiro. Segundo a Agência Brasil, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao governo federal, estima que a bacia pode ter até 10 bilhões de barris de óleo equivalente, somando petróleo e gás. Por outro lado, o projeto enfrenta uma disputa ambiental desde antes da primeira perfuração, e o Ministério Público Federal voltou à Justiça na semana passada para tentar parar a sonda.

O que a Petrobras encontrou na Foz do Amazonas?

O poço se chama Morpho e fica em águas ultraprofundas, com 2.886 metros de lâmina d’água, ou seja, a distância entre a superfície do mar e o fundo. Ele pertence ao bloco FZA-M-59, leiloado em 2013. Segundo o Money Times, a perfuração começou em 20 de outubro de 2025, e a primeira descoberta foi anunciada em meados de agosto de 2026.

Agora, a broca chegou a um segundo reservatório, abaixo do primeiro. De acordo com a Agência Brasil, Magda Chambriard descreveu o óleo como de baixa viscosidade, isto é, mais fino e fácil de escoar. O grau API, a medida que diz se o petróleo é leve ou pesado, continua sob sigilo por regra da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Além disso, a executiva repetiu o tom cauteloso de agosto.

“Ainda não podemos garantir, mas tudo indica que estamos realmente abrindo uma nova fronteira exploratória.”

Magda Chambriard, presidente da Petrobras, em 2 de outubro de 2026
Imagem de satélite da região do petróleo na Foz do Amazonas, na costa do Amapá
A foz do Rio Amazonas vista por satélite, com a costa do Amapá: o poço Morpho fica em alto-mar, a 175 km do litoral. Foto: Coordenação-Geral de Observação da Terra/INPE (CC BY-SA 2.0)

Quanto petróleo pode existir na Foz do Amazonas?

Ninguém sabe ainda. O número de 10 bilhões de barris é uma estimativa da EPE para a bacia inteira, e não o volume confirmado no Morpho. Na prática, achar petróleo é só o primeiro passo. Depois, a empresa precisa medir o tamanho do reservatório e provar que vale a pena tirar o óleo de lá.

Em agosto, a própria presidente da Petrobras fez essa ressalva. Segundo o Times Brasil, ela disse que “encontrar petróleo é uma etapa diferente de confirmar uma descoberta comercial”. O mesmo veículo calculou que o poço custou cerca de US$ 300 milhões, perto de US$ 1 milhão por dia de operação.

Por que a Petrobras quer tanto essa nova fronteira?

A resposta está no pré-sal. Hoje, cerca de 80% do petróleo produzido no Brasil sai dessa área, segundo o Times Brasil. No entanto, os campos do pré-sal vão perder força com o tempo, e a empresa precisa achar novas reservas para manter a produção nas próximas décadas.

Por isso, Magda Chambriard disse à Agência Brasil que existe o otimismo de que a nova fronteira ajude a reduzir o déficit de produção no país. A Foz do Amazonas faz parte da chamada Margem Equatorial, faixa do litoral que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá. Petróleo também mexe com o bolso de quem nunca vai ao Amapá, porque pesa no preço dos combustíveis, como explicamos na matéria sobre o preço do diesel e no texto sobre a guerra no Irã e o Estreito de Ormuz.

Magda Chambriard, presidente da Petrobras, que anunciou a descoberta de petróleo na Foz do Amazonas
Magda Chambriard, hoje presidente da Petrobras, num leilão do pré-sal na época em que dirigia a ANP. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)

Por que a exploração na Foz do Amazonas é polêmica?

A região fica perto de recifes de corais e de comunidades que vivem da pesca, e um vazamento no mar poderia chegar a áreas sensíveis. Em 2023, o Ibama negou a licença do mesmo bloco, apontando inconsistências técnicas no plano de emergência, segundo a eixos. Depois de novos testes, o órgão liberou a perfuração em outubro de 2025, de acordo com a Forbes Brasil.

Em 4 de janeiro de 2026, um incidente com a sonda despejou cerca de 18 mil litros de fluido de perfuração no mar, e a operação parou. Segundo o Portal Amazônia, a Petrobras afirmou em nota que cumpre todas as exigências do licenciamento e que o fluido era biodegradável. Em seguida, a ANP autorizou a retomada.

O que o MPF pede contra a Petrobras?

Em 29 de setembro, o Ministério Público Federal voltou a recorrer ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) para suspender a licença de operação. Para o MPF, o estudo de dispersão de óleo usou dados de 2013, a licença foi ampliada de um para quatro poços sem novos estudos e povos indígenas e pescadores não foram consultados, como manda a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

O MPF também diz que o Ibama multou a Petrobras em R$ 2,5 milhões pelo vazamento de janeiro. Até a publicação desta matéria, o tribunal não havia decidido o pedido. Na entrevista de sexta, Magda Chambriard negou qualquer ligação entre o anúncio e as eleições de domingo: segundo ela, a empresa divulgou a descoberta porque a broca chegou ao reservatório, como exigem as regras do mercado.

Quais são os próximos passos na Foz do Amazonas?

Os testes no Morpho seguem até o fim de outubro, segundo a Agência Brasil. Depois, a sonda vai para o Rio Grande do Norte, onde a Petrobras pretende perfurar o prospecto Mãe de Ouro em novembro. Já no primeiro trimestre de 2027, outra sonda deve chegar ao Amapá para perfurar três poços de delimitação, que servem para medir o tamanho do reservatório.

Só depois dessa etapa a Petrobras vai poder dizer se existe petróleo na Foz do Amazonas em volume suficiente para produzir. Até lá, a descoberta é uma promessa: grande no papel, ainda sem número confirmado, e com uma disputa na Justiça correndo em paralelo.

Redação

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