Por que o dólar caiu abaixo de R$ 5 e a Bolsa disparou hoje
No primeiro pregão depois do 1º turno, o Ibovespa passou dos 209 mil pontos pela primeira vez e os juros futuros despencaram. Veja o que explica o movimento e o que muda para o seu bolso.

O dólar caiu abaixo de R$ 5 e a Bolsa brasileira bateu recorde nesta segunda-feira (5) porque investidores reagiram ao resultado do 1º turno da eleição presidencial, segundo analistas ouvidos pelo InfoMoney, pela CNN Brasil e pela Forbes. Na prática, o mercado reduziu o “prêmio de risco”, que é o pedaço extra de retorno que o investidor cobra para colocar dinheiro num país com futuro incerto. Por isso, o real ganhou valor, as ações subiram e os juros futuros caíram.
O movimento chama atenção pelo tamanho. Segundo o InfoMoney, o Ibovespa passou dos 209 mil pontos pela primeira vez na história e chegou a 209.605 pontos, com alta acima de 8% no fim da manhã. Enquanto isso, o dólar, que tinha fechado a sexta-feira em R$ 5,216, chegou a R$ 4,957 na mínima do dia. Além disso, a terceira parcial da Ptax, a taxa oficial calculada pelo Banco Central, saiu a R$ 4,9779 na venda.
O que aconteceu com o dólar e a Bolsa hoje?
O pregão já abriu em forte alta. Logo depois das 10h, o Ibovespa subia 7,96% e o dólar caía 4,51%, a R$ 4,98, de acordo com o Estado de Minas. Ao longo da manhã, a alta ganhou força. Com isso, o índice acumulava ganho de 19,23% em 2026, segundo o mesmo jornal.
As maiores altas vieram de empresas que dependem de juros e de crédito. Segundo o InfoMoney, as units do BTG Pactual subiam 26,92%, as ações da B3 avançavam 25% e as da Magazine Luiza, 24,70%. Os grandes bancos também subiram com força: Bradesco ganhava 13,16%, Banco do Brasil, 11,51%, e Itaú, 10,44%. Já a Petrobras renovou máximas, com a ação preferencial chegando a subir 9,52%.
Do outro lado, algumas exportadoras caíram. Suzano recuava 5,52%, Embraer, 5,14%, e Vale, 2,97%, de acordo com o InfoMoney. Isso tem explicação simples: essas empresas recebem boa parte da receita em dólar. Assim, quando o real se valoriza, cada dólar vendido vira menos reais no caixa delas.
Por que o dólar caiu depois do 1º turno?
O gatilho foi o resultado das urnas. Com 100% das seções apuradas, Flávio Bolsonaro (PL) terminou o 1º turno com 47,03% dos votos válidos, e Lula (PT), com 45,16%, segundo os dados do TSE. Os dois voltam a se enfrentar no 2º turno, em 25 de outubro, como mostra a matéria sobre o 2º turno para presidente.
Segundo o Estado de Minas, investidores passaram a enxergar maior chance de mudanças na política fiscal, que é a forma como o governo arrecada e gasta. Para Rafael Pastorello, do Banco Sofisa, ouvido pelo InfoMoney, a alta do real veio da “combinação entre aumento do fluxo estrangeiro para ativos brasileiros e redução dos prêmios de risco”. Na mesma linha, Felipe Cima, da Manchester Investimentos, disse que “esse primeiro momento de euforia é uma reprecificação da curva de juros e da política fiscal”.
O dinheiro de fora também pesou. Antes mesmo da abertura em São Paulo, as ações brasileiras negociadas em Nova York já subiam: Itaú avançava 12%, Bradesco, 11%, e Petrobras, cerca de 10%, segundo a CNN Brasil. Além disso, o banco americano JPMorgan elevou a recomendação para as ações do Brasil, de neutra para compra, de acordo com o InfoMoney.
O que aconteceu com os juros futuros?
Os juros futuros, que mostram quanto o mercado cobra para emprestar ao governo nos próximos anos, também caíram. Segundo a CNN Brasil, a taxa para janeiro de 2028 recuou 0,77 ponto, para 12,735% ao ano. Já a taxa para janeiro de 2035 caiu 0,97 ponto, para 13,16%.
Essa queda importa porque os juros futuros servem de referência para financiamentos longos, como o da casa própria, e para os títulos prefixados do Tesouro. Por outro lado, a Selic, que é a taxa básica definida pelo Banco Central, não muda por causa de um dia de mercado. No Boletim Focus divulgado nesta segunda, a previsão do mercado para a Selic no fim de 2026 ficou em 13,50%, e a da inflação do ano subiu para 5,01%.
O que muda no seu bolso com o dólar abaixo de R$ 5?
Para o consumidor, o efeito vem aos poucos. Segundo a Forbes Brasil, um dólar mais barato reduz o custo de combustíveis, fertilizantes e máquinas importadas, o que pode aliviar a inflação. No entanto, a própria reportagem lembra que esse repasse não é imediato nem integral.
Na prática, quem tem viagem marcada para fora ou compra em sites internacionais sente primeiro. Por exemplo, US$ 1.000 que custavam cerca de R$ 5.216 na sexta passaram a valer menos de R$ 5.000 na cotação desta segunda, sem contar as taxas das casas de câmbio e dos cartões. Ainda assim, o câmbio muda todos os dias, e ninguém sabe onde ele estará na data da sua viagem.
O preço da comida e da energia também depende de outros fatores. Um deles é o El Niño, que pode encarecer alimentos e conta de luz em 2027, como mostra a matéria sobre o El Niño e a inflação.
O dólar vai continuar caindo até o 2º turno?
Ninguém consegue garantir, e os próprios analistas pedem cautela. André Matos, da MA7 Capital, disse ao InfoMoney que o movimento é uma “reprecificação de prêmio de risco, não mudança de fundamento”. Ele listou três riscos: o resultado do 2º turno, a escolha da equipe econômica do próximo governo e a confirmação pelos dados da economia. Já Thomas Monteiro, do Investing.com, afirmou à CNN Brasil que a insegurança política de longo prazo continua.
Em outras palavras, o mercado reagiu a expectativas, e expectativas mudam. Até 25 de outubro, novas pesquisas, debates e anúncios das campanhas podem mexer de novo com o câmbio, para cima ou para baixo. Por isso, a queda desta segunda não é um retrato do que vai acontecer, e sim de como os investidores leram o resultado do domingo. Para entender como a eleição já vinha mexendo com o câmbio, veja também a matéria sobre o dólar antes da eleição.
O resumo do dia é este: o real ganhou força, a Bolsa foi a um nível inédito e os juros longos caíram logo depois do 1º turno. Mesmo assim, o desfecho depende do 2º turno e das escolhas do próximo governo.
O próximo presidente vai assumir um país endividado e com um El Niño histórico a caminho. Veja o que espera quem ganhar a eleição:

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