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Geopolítica

O que mudou no tarifaço de Trump contra o Brasil em 2026

A tarifa de 50% caiu na Suprema Corte, mas voltou com outro nome. Hoje, parte das exportações brasileiras paga até 37,5% para entrar nos Estados Unidos.

Redação 6 min de leitura
Foto: Jorge Andrade/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O tarifaço de Trump contra o Brasil mudou de forma, mas não acabou. A tarifa de 50% de 2025 caiu na Suprema Corte dos Estados Unidos em fevereiro de 2026. Porém, em julho, Washington criou duas novas taxas, de 25% e de 12,5%. Somadas, elas chegam a 37,5% sobre parte do que o Brasil vende aos americanos.

Depois de tantas idas e vindas, muita gente perdeu o fio da história. Ao mesmo tempo, o assunto voltou à mesa: no fim de setembro, os dois governos retomaram a negociação. Por isso, vale entender o que aconteceu desde 2025, quem paga cada tarifa hoje e o que pode mudar nos próximos meses.

Como começou o tarifaço de Trump em 2025?

Tudo começou em abril de 2025, com uma tarifa de 10% sobre produtos de quase todos os países, inclusive o Brasil. Em julho, Trump anunciou mais 40% só para os produtos brasileiros, e a soma de 50% entrou em vigor em 6 de agosto de 2025. Segundo o Mercado & Consumo, a ordem trazia 694 exceções, como suco de laranja, combustíveis, aviões e celulose.

Na justificativa, a Casa Branca citou “políticas, práticas e ações” do governo brasileiro e o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Do outro lado, o governo brasileiro autorizou o Itamaraty a acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) em 5 de agosto. Café, carne e frutas, que tinham ficado fora das exceções, pagaram os 50% por alguns meses.

Donald Trump mostra a tabela do tarifaço no jardim da Casa Branca, em abril de 2025
Donald Trump mostra a tabela de tarifas no jardim da Casa Branca, em 2 de abril de 2025. Foto: Daniel Torok/Casa Branca (domínio público)

Depois, o clima mudou. Lula e Trump conversaram por telefone em 6 de outubro de 2025. Em seguida, em 20 de novembro, Trump retirou os 40% extras de carne bovina, café, frutas e castanha de caju, de acordo com o Poder360.

Por que a Suprema Corte derrubou o tarifaço?

Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte americana decidiu, por 6 votos a 3, que Trump tinha ido além dos seus poderes. As tarifas de 2025 usavam uma lei de emergência econômica, a IEEPA. Para os juízes, porém, essa lei não permite criar impostos de importação tão amplos sem o Congresso. Com isso, caíram ao mesmo tempo os 10% gerais e os 40% contra o Brasil.

Mesmo assim, a Casa Branca agiu rápido. Em 24 de fevereiro, entrou em vigor uma tarifa global de 10%, baseada na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, segundo o Poder360. Essa regra, no entanto, tem prazo: vale por no máximo 150 dias, a não ser que o Congresso aprove a prorrogação. Trump chegou a anunciar que subiria a taxa para 15%.

Enquanto isso, as tarifas sobre aço e alumínio continuaram intactas. Elas usam outra lei, a Seção 232, e seguem em 50% sobre o aço semiacabado brasileiro, segundo o Correio Braziliense.

O que são as novas tarifas de 25% e 12,5%?

As novas tarifas vêm da Seção 301, uma lei que permite aos Estados Unidos punir práticas comerciais que considerem injustas. A investigação contra o Brasil começou em julho de 2025 e olhou seis temas: comércio digital e pagamentos eletrônicos (onde entra o Pix), tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal, segundo a Exame.

Em 15 de julho de 2026, o governo americano anunciou a tarifa de 25%, que passou a valer em 22 de julho. Ela atinge etanol, açúcar, calçados e tabaco, entre outros, de acordo com a Band. Por outro lado, café, carne, suco de laranja, cacau, frutas tropicais, petróleo, minério de ferro e aviões ficaram de fora.

A segunda taxa, de 12,5%, saiu de outra investigação, sobre trabalho forçado nas cadeias de produção, aberta em março contra 59 países e a União Europeia. Ela entrou em vigor em 24 de julho, justamente quando a tarifa global da Seção 122 venceu. Países como México, Argentina, Canadá e Reino Unido ficaram com 10%, segundo O Tempo.

Quais produtos pagam mais com o tarifaço de Trump hoje?

Quando as duas taxas se somam, o produto paga 37,5%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, citado pela Agência Brasil, isso vale para US$ 6,6 bilhões em exportações, ou 16,5% do que o Brasil vende aos Estados Unidos. Nessa faixa estão máquinas e equipamentos, madeira, óleos e gorduras, calçados, móveis e roupas.

Ainda assim, a maior parte das vendas escapou. De acordo com o mesmo levantamento, 52,7% das exportações (US$ 21,3 bilhões) não foram atingidas pelas novas tarifas. Outros 24,2% já pagavam as tarifas da Seção 232, como aço e alumínio. Na prática, quem mais sente são as indústrias de calçados, móveis, máquinas e etanol.

Navio de contêineres deixa o Porto de Santos com exportações afetadas pelo tarifaço de Trump
Navio de contêineres deixa o Porto de Santos, principal saída das exportações brasileiras. Foto: Wilfredor/Wikimedia Commons (CC0)

Quanto o Brasil perdeu com o tarifaço?

Os números de comércio mostram o efeito. Em 2024, o Brasil vendeu um recorde de US$ 40,4 bilhões aos Estados Unidos. Em 2025, o valor caiu para US$ 37,7 bilhões, e no primeiro semestre de 2026 ficou em US$ 17,4 bilhões, 13% menos que um ano antes, segundo a Agência Brasil.

Para ajudar as empresas atingidas, o governo lançou em 22 de julho a fase 3 do plano Brasil Soberano. São R$ 18,5 bilhões, sendo R$ 13,5 bilhões do Tesouro e R$ 5 bilhões do BNDES, segundo O Tempo. Além disso, o Brasil protestou formalmente e afirma que a Seção 301 fere as regras da OMC.

Vale lembrar que a tarifa é paga na entrada dos Estados Unidos, e não nas lojas brasileiras. Por isso, o peso recai principalmente sobre as fábricas que exportam, que perdem clientes ou margem. Para elas, o câmbio também conta, como mostra a matéria sobre por que o dólar caiu hoje.

O tarifaço de Trump pode acabar?

Por enquanto, não há data. Em 21 de agosto, Lula e Trump conversaram por telefone, e Trump sugeriu que os ministros se reunissem logo, segundo a Reuters, via Internazionale. Em 30 de setembro, o ministro Márcio Elias Rosa e o chanceler Mauro Vieira se reuniram com o representante comercial americano, Jamieson Greer, em Milwaukee, durante um encontro do G20.

Segundo o SBT News, os dois lados concordaram que é preciso definir o alcance da negociação. Os Estados Unidos ficaram de mandar, em algumas semanas, um documento com os termos da conversa. O vice-presidente Geraldo Alckmin, por sua vez, disse que o Brasil quer avançar depois das eleições.

Em resumo, o tarifaço de Trump trocou de base legal, ficou mais estreito e hoje mira setores específicos. A próxima etapa depende do documento americano e de uma rodada de negociação que ainda não tem data. Para entender o lado do presidente americano, vale ler também de onde vem a fortuna de Donald Trump.

Redação

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