Economia

Preço dos brinquedos sobe 7,1% para o Dia das Crianças, diz CNC

A alta ficou bem acima da inflação, e o chocolate subiu ainda mais. Veja o que encareceu, quanto o comércio espera vender e por que vale comparar antes de comprar.

Redação 5 min de leitura
Foto: Izabella Galhardo/Wikimedia Commons (CC0)

O preço dos brinquedos subiu 7,1% em um ano e chega ao Dia das Crianças bem acima da inflação, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A alta é cerca de 68% maior que a inflação do período, de 4,22%. Mesmo assim, o comércio espera vender R$ 9,27 bilhões na data, 1,8% a mais que em 2025.

O levantamento foi divulgado na terça-feira (6) e vale para quem vai às compras nos próximos dias. O Dia das Crianças cai na segunda-feira, 12 de outubro, que também é feriado nacional. Ou seja, o presente vai pesar mais no orçamento de famílias que já estão no limite, num momento em que a matéria sobre o El Niño e a inflação já mostra o risco de comida mais cara em 2027.

Quanto subiu o preço dos brinquedos?

Segundo o Portal do Comércio, da CNC, os brinquedos ficaram 7,1% mais caros na comparação com o Dia das Crianças de 2025. A entidade acompanha uma cesta com 11 grupos de produtos e serviços ligados à data, que subiu 6,7% em média. Assim, o brinquedo, que é o presente principal, subiu mais do que a cesta inteira.

Vitrine de loja mostra o preço dos brinquedos mais alto neste ano
Vitrine com bonecos, carrinhos e miniaturas numa loja de brinquedos (imagem ilustrativa). Foto: Pittigrilli/Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A comparação com a inflação ajuda a entender o tamanho da alta. De acordo com a CNC, citada pelo Brasil em Folhas, a inflação acumulada no período ficou em 4,22%. Na prática, quem gastou R$ 100 num brinquedo no ano passado precisa de cerca de R$ 107 para levar o mesmo item agora.

O que mais ficou caro no Dia das Crianças?

O chocolate foi o campeão de alta. Segundo a CNC, o preço subiu 19,3% em um ano, quase o triplo da média da cesta. Depois vêm os videogames, com 11,2%, e os lanches, com 8%. Já as roupas ficaram perto de 4% mais caras, abaixo da inflação.

Chocolate foi o item que mais subiu, acima do preço dos brinquedos
Chocolates à venda numa vitrine: o item que mais subiu na cesta do Dia das Crianças (imagem ilustrativa). Foto: Maksym Kozlenko/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Esses números pesam porque muita família não compra só o presente. Além do brinquedo, entram o chocolate, o lanche fora de casa e, às vezes, uma roupa nova. Por isso, a conta final do dia pode subir mais do que o preço do presente sozinho.

Videogame ficou 11,2% mais caro, acima do preço dos brinquedos
Console de videogame com controle: os games ficaram 11,2% mais caros em um ano (imagem ilustrativa). Foto: Evan-Amos/Wikimedia Commons (domínio público)

Quanto o comércio espera vender?

Mesmo com os preços mais altos, a CNC projeta vendas de R$ 9,27 bilhões no varejo, contra R$ 9,11 bilhões em 2025. As lojas de artigos de uso pessoal e doméstico, onde entram os brinquedos, devem ficar com 39% do total, ou R$ 3,62 bilhões. Em seguida aparecem os hiper e supermercados, com R$ 2,63 bilhões, e o setor de roupas e acessórios, com R$ 1,35 bilhão, segundo o SBT News.

Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o resultado repete “um crescimento baixo, sustentado pelo bom índice de população empregada”. Em outras palavras, há mais gente trabalhando, mas os juros altos e o crédito caro seguram as compras.

Por que as famílias vão gastar com mais cuidado?

O endividamento é o principal freio. Segundo a CNC, 82% das famílias brasileiras tinham alguma dívida em agosto de 2026, o maior nível da pesquisa da entidade desde 2010. Além disso, 29,9% estavam com contas em atraso.

O crédito também está mais caro. A taxa média de juros para o consumidor chegou a 61,7% ao ano, e a inadimplência no crédito para pessoas físicas ficou em 8,01%, de acordo com a CNC. Ou seja, parcelar o presente no cartão ou no crediário pode sair bem mais caro do que o preço da etiqueta. A matéria sobre o recorde de emprego e de inadimplência explica por que as duas coisas andam juntas.

Vale a pena pesquisar o preço dos brinquedos?

Vale, e a diferença pode ser grande. O Procon de Campinas, no interior de São Paulo, comparou 105 brinquedos em cinco lojas online (Mercado Livre, Amazon, Magazine Luiza, Ri Happy e Americanas) entre 17 e 23 de setembro. O frete ficou de fora da conta.

Loja de brinquedos: pesquisar o preço dos brinquedos evita pagar a mais
Loja de brinquedos com prateleiras cheias (imagem ilustrativa). Foto: Syced/Wikimedia Commons (CC0)

O resultado chama atenção. Um cubo mágico 3×3 custava de R$ 15,09 a R$ 63,54, uma diferença de 321%, segundo a Jovem Pan News Campinas. Já um conjunto do Batman com acessórios variava de R$ 179,90 a R$ 606,36, ou R$ 426,46 de diferença, de acordo com o A Cidade ON.

Como economizar no presente?

A primeira dica é a mais simples: definir um valor por criança antes de sair de casa ou abrir o aplicativo. Depois, vale comparar o mesmo produto em pelo menos três lojas, somando o frete, que pode mudar a conta. Por fim, se a compra for parcelada, é bom conferir se o preço à vista tem desconto.

Também é bom desconfiar de ofertas boas demais em links recebidos por mensagem. Perto de datas comemorativas, golpistas costumam criar lojas falsas e pedir pagamento por Pix. Golpes assim usam truques parecidos com os do golpe do falso advogado, que se apoia na pressa e na confiança da vítima.

Com o brinquedo 7,1% mais caro e o chocolate quase 20% mais caro, o Dia das Crianças de 2026 deve custar mais, mesmo para quem comprar a mesma coisa do ano passado. A boa notícia é que, num mercado com diferenças de preço de até 321% para o mesmo produto, pesquisar ainda é a forma mais garantida de economizar.

Redação

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