Viagem

Ainda dá para viajar para a Venezuela? O que mudou em 2026

Brasileiro entra sem visto e há voo direto de São Paulo para Caracas. Mas o país passou por ataque dos EUA, dois terremotos e inflação de três dígitos.

Redação 6 min de leitura
Foto: Maor X/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Viajar para a Venezuela em 2026 é possível: o brasileiro não precisa de visto de turismo e, desde 15 de setembro, há de novo voo direto entre São Paulo e Caracas. Porém, o país mudou muito neste ano. Houve a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro, dois terremotos em junho e uma inflação que passou de 400% em 12 meses. Por isso, a viagem exige mais planejamento do que antes.

O assunto voltou a ser buscado porque os voos internacionais retornaram aos poucos depois da reabertura do principal aeroporto do país, em 1º de setembro. Além disso, muitos brasileiros do Norte cruzam a fronteira por Roraima para compras e turismo. Ou seja, a pergunta “dá para ir?” tem resposta positiva, mas vem acompanhada de alertas que o viajante precisa conhecer antes de comprar a passagem.

O que mudou na Venezuela desde janeiro?

Em 3 de janeiro de 2026, forças dos Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro em Caracas e o levaram para responder a acusações criminais no país. Segundo a CNN Brasil, a vice Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina. Em 23 de setembro, na Assembleia Geral da ONU, ela confirmou que haverá eleição presidencial, mas não marcou data. Enquanto isso, Washington e Caracas retomaram o diálogo, e a embaixada americana voltou a funcionar em março, só para emergências.

No dia da operação, cerca de 100 turistas brasileiros saíram do país pela fronteira de Roraima. A informação foi dada pela ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, segundo texto da Agência Brasil republicado pelo Diario de Pernambuco. Na época, não houve relato de brasileiros feridos. O blog explica o contexto político em Venezuela sem Maduro: o que mudou desde a captura.

Quais documentos o brasileiro precisa para viajar para a Venezuela?

O brasileiro não precisa de visto para turismo. Em fevereiro, a Folha BV publicou a lista que a companhia aérea venezuelana Rutaca repassou às agências de Roraima. Primeiro, documento de identidade válido. Depois, o certificado internacional de vacina contra a febre amarela, tomada pelo menos 10 dias antes. Também entram a comprovação de dinheiro para a estadia, a reserva de hotel ou uma carta-convite de quem vai hospedar e um formulário de declaração preenchido antes do embarque.

Na prática, as exigências podem variar entre o aeroporto e a fronteira terrestre. Por isso, vale levar o passaporte, confirmar as regras com a companhia aérea e consultar o Portal Consular do Itamaraty antes de sair. O seguro-viagem não é obrigatório, mas a Abav de Roraima recomenda contratar um.

Saguão do aeroporto de Maiquetía, porta de entrada de quem vai viajar para a Venezuela
Saguão do Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, antes dos terremotos de 2026. Foto: Wilfredor/Wikimedia Commons (CC0)

Tem voo do Brasil para a Venezuela?

Tem. Segundo o Brasilturis, a Gol retomou em 15 de setembro a rota entre Guarulhos e o aeroporto de Maiquetía, que serve Caracas. São três voos por semana, às terças, quintas e domingos. A companhia tinha suspendido a operação por quase três meses, porque os terremotos danificaram a pista e a estrutura do aeroporto. Com a saída da Rutaca, a Gol ficou como a única empresa no trecho entre os dois países.

Maiquetía voltou a receber passageiros em 1º de setembro, com terminais provisórios. Segundo a mesma reportagem, a expectativa é chegar a 50% ou 60% da capacidade anterior até o fim de 2026. Além disso, a American Airlines voltou a voar entre Miami e Caracas em setembro, de acordo com o Diário do Turismo. Outra opção é a conexão por Panamá ou Bogotá.

É seguro viajar para a Venezuela?

O governo americano mantém a Venezuela no nível 3 de 4 do seu sistema de alertas, o “reconsidere a viagem”. O Departamento de Estado cita crime, sequestro e terrorismo. Além disso, ele recomenda não ir de forma alguma a algumas áreas: a faixa perto da fronteira com a Colômbia e os estados de Amazonas, Apure, Guárico e Táchira, além das zonas rurais de Bolívar e de Aragua fora de Maracay.

Os terremotos de 24 de junho deixaram 6.125 mortos, segundo balanço divulgado em 3 de agosto e publicado pela Reuters. A região de La Guaira, no litoral perto de Caracas, foi uma das mais atingidas. Por isso, quem pretende ficar na costa precisa confirmar se o hotel está funcionando. O blog também mostrou como conflitos mudam o mapa das viagens em guerra do Irã.

Caracas e a montanha do Ávila, cidade de chegada de quem vai viajar para a Venezuela
Caracas, com a montanha do Ávila ao fundo. Foto: Flauta/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Quanto custa e como funciona o dinheiro na Venezuela?

O bolívar perde valor muito rápido. Segundo dados do Banco Central da Venezuela divulgados em 3 de outubro, a inflação de setembro foi de 8,4% no mês e de 225,3% no acumulado do ano. Em 12 meses, chegou a 465,5%, pelo cálculo da Reuters, de acordo com a GBM. Para comparar, a Argentina vive um problema parecido, explicado em por que a Argentina vive em crise.

Com isso, os preços em bolívar mudam de uma semana para outra. O câmbio oficial também anda: em 8 de outubro, o Banco Central cotava o dólar a 875,67 bolívares, segundo o jornal dominicano El Caribe. Antes de embarcar, portanto, vale confirmar com o banco se o cartão funciona no país e levar uma reserva em dinheiro, que também serve para comprovar recursos na imigração.

Notas de bolívar, a moeda de quem vai viajar para a Venezuela
Notas e moedas do bolívar digital, a moeda da Venezuela. Foto: banknote world/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Quais destinos atraem turistas na Venezuela?

Os cartões-postais do país continuam os mesmos. No sul, o Parque Nacional Canaima abriga o Salto Ángel, a maior queda d’água do mundo. No Caribe, o arquipélago de Los Roques atrai quem busca praias de água clara. Perto da fronteira com Roraima, o Monte Roraima recebe trilheiros que saem de Santa Elena de Uairén.

Porém, boa parte desses lugares depende de voos domésticos e de operadores locais, que ainda se recuperam depois do terremoto. Por isso, o caminho mais seguro é fechar o roteiro com agência credenciada e checar a situação de cada destino perto da data.

Salto Ángel, um dos destinos de quem vai viajar para a Venezuela
Salto Ángel, no Parque Nacional Canaima, a maior queda d'água do mundo. Foto: Diego Delso/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Em resumo, dá para viajar para a Venezuela em 2026 sem visto e com voo direto de São Paulo. No entanto, o país vive uma transição política sem data para eleição, se recupera de terremotos e tem inflação de três dígitos. Quem decidir ir precisa da vacina da febre amarela, de dinheiro em espécie e de um roteiro longe das áreas de risco.

O Resenha Rentável foi até a fronteira da Colômbia com a Venezuela e mostrou o que acontece na entrada do país:

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