Viagem

Os países com visto de nômade digital e quanto cada um exige

Portugal pede quatro salários mínimos, o Japão quer ¥ 10 milhões por ano e a Argentina não fixa valor. Veja as regras para quem quer trabalhar de outro país.

Pedro Paracampos 5 min de leitura
Foto: AbhiSuryawanshi/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O visto de nômade digital é a autorização para morar por um tempo em outro país trabalhando a distância para empresas ou clientes de fora dele. Brasileiros podem pedir esse tipo de visto em países como Portugal, Espanha, Croácia, Japão, Colômbia, Argentina e Emirados Árabes. A principal diferença está na renda exigida, que vai de nenhum valor fixo, na Argentina, a ¥ 10 milhões por ano, no Japão.

O tema ganhou peso com a popularização do trabalho remoto, e esse público movimenta a economia por onde passa. Só em Florianópolis, um levantamento do Observatório Digital Nomads, da consultoria DashCity, contou cerca de 5.666 nômades digitais em 2025, alta de 224% sobre 2018, segundo o Baguete. Por isso, antes de fazer as malas, vale entender o que cada destino pede.

O que é um visto de nômade digital?

Na prática, é uma autorização de residência temporária para quem já tem trabalho fora do país de destino. Em geral, o trabalho precisa ser para empresas ou clientes de fora, e não para firmas do país de destino. Ou seja, a pessoa leva o emprego ou os clientes na bagagem e comprova que ganha o suficiente para se manter.

Cada país dá um nome diferente para esse documento. Além disso, as exigências mudam bastante: renda mínima, seguro saúde, tempo de permanência e possibilidade de renovação. Por isso, a comparação precisa ser feita país a país, e sempre conferida no consulado antes do pedido.

Profissional usa notebook num café, rotina de quem tem visto de nômade digital
Profissional trabalha com notebook num café (imagem ilustrativa). Foto: perzon seo/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Quanto Portugal exige no visto de nômade digital?

Em Portugal, o visto para atividade profissional remota, conhecido como D8, exige renda média mensal dos últimos três meses igual a quatro salários mínimos portugueses, segundo o formulário da VFS Global, empresa que recebe os pedidos no Brasil. Como o salário mínimo de Portugal subiu para € 920 em janeiro de 2026, de acordo com o idealista, a conta dá € 3.680 por mês. Esse visto entrou em vigor em 30 de outubro de 2022, segundo o jornal português ECO.

Bonde 28 em Lisboa, capital de Portugal, que tem visto de nômade digital
O bonde 28 numa rua de Lisboa, capital do país que oferece o visto D8. Foto: Shadowgate/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

E na Espanha e na Croácia?

A Espanha criou o visto de teletrabalho de caráter internacional com a Lei 28/2022, a chamada Lei de Startups. O visto vale por até um ano e, dentro do país, a autorização de residência pode chegar a três anos, segundo o consulado espanhol. A renda exigida é de 200% do salário mínimo espanhol, o que dá cerca de € 2,8 mil por mês em 2026, de acordo com o escritório de imigração Migratiolex.

Já a Croácia pede renda mínima de € 3.622,50 por mês, ou € 43.470 na conta para uma estadia de 12 meses, segundo o Ministério do Interior croata. A permanência pode chegar a 18 meses. Além disso, a renda desses estrangeiros fica isenta do imposto de renda croata, segundo o site Croatia Week.

Quais países da América Latina têm visto de nômade digital?

A Colômbia exige comprovação de renda de três salários mínimos colombianos nos últimos três meses e concede residência de até dois anos, segundo o Noticias RCN. Além disso, quem passa mais de 183 dias no país em geral vira residente fiscal, ou seja, pode ter de declarar imposto por lá, segundo o mesmo veículo.

A Argentina tem o regime mais simples. A residência transitória de nômade digital vale por até 180 dias, prorrogáveis por igual prazo, e não exige renda mínima, apenas documentos que provem a atividade remota, segundo o governo argentino. Como o brasileiro não precisa de visto de turista para entrar no país, pode fazer o pedido já em território argentino. O vizinho também oferece outros caminhos, como a cidadania argentina por investimento.

Vista de Medellín, na Colômbia, país que oferece visto de nômade digital
Vista de Medellín, na Colômbia, a partir do Cerro El Picacho. Foto: Luis90f/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Japão e Dubai valem para brasileiros?

Sim, mas a régua é alta. O Japão pede renda anual de ¥ 10 milhões ou mais e seguro saúde com cobertura de pelo menos ¥ 10 milhões, segundo o Ministério das Relações Exteriores japonês. Além disso, a estadia é de seis meses, sem prorrogação. O Brasil está entre os 51 países e regiões cujos cidadãos podem pedir esse visto, segundo a Agência de Imigração do Japão.

Nos Emirados Árabes, o visto federal de trabalho virtual exige renda de US$ 3.500 por mês e vale por um ano. Já o programa próprio de Dubai pede salário de pelo menos US$ 5.000 por mês e custa US$ 287 por pessoa, além do seguro, segundo o portal oficial do governo dos Emirados.

Cruzamento de Shibuya, em Tóquio, cidade de quem tem visto de nômade digital no Japão
O cruzamento de Shibuya, em Tóquio. Foto: Benh LIEU SONG/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
Tabela compara a renda exigida no visto de nômade digital em sete países

O Brasil também tem visto de nômade digital?

Tem, para estrangeiros que querem morar aqui. A Resolução 45 do Conselho Nacional de Imigração, publicada em 24 de janeiro de 2022, exige renda mínima de US$ 1.500 por mês ou US$ 18 mil em conta, sempre de fonte pagadora estrangeira, segundo a Bloomberg Línea. O visto vale por um ano e pode ser prorrogado.

Esse público movimenta dinheiro. Em Florianópolis, o mesmo estudo da DashCity estimou impacto de cerca de R$ 1,5 bilhão por ano na economia local, com gastos em hospedagem, coworking e alimentação, segundo o Baguete.

Em resumo, o visto de nômade digital é o caminho mais direto para trabalhar de outro país sem depender de uma empresa local. Portugal, Espanha e Croácia pedem algo entre € 2,8 mil e € 3,7 mil por mês, a Argentina não fixa renda e o Japão tem a régua mais alta da lista. Como as regras mudam com frequência, o pedido deve ser conferido no consulado do país escolhido, e quem ainda está escolhendo o destino pode comparar o custo de vida nas cidades mais caras do mundo.

Pedro Paracampos

Roteirista e produtor. Chamado pela imprensa de “prodígio do cinema”. Cofundador do Resenha Rentável.

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