Investigação

Quem foi D.B. Cooper, o sequestrador que sumiu com US$ 200 mil

Em 1971, um homem de terno sequestrou um avião nos Estados Unidos, recebeu o resgate e pulou de paraquedas no meio da noite. Quase 55 anos depois, ninguém sabe quem ele era.

Pedro Paracampos 5 min de leitura
Foto: Aero Icarus/Flickr (CC BY-SA 2.0)

D.B. Cooper é o nome pelo qual ficou conhecido o homem que sequestrou um avião nos Estados Unidos em 24 de novembro de 1971, recebeu US$ 200 mil de resgate e saltou de paraquedas no escuro, em algum ponto entre Seattle e Reno. Ele nunca foi encontrado. Segundo o FBI, mais de 800 suspeitos foram analisados, e a identidade dele continua um mistério.

O caso volta à pauta todo fim de novembro, e este ano tem um motivo a mais. Em 24 de novembro de 2026, o sequestro completa 55 anos. Além disso, um paraquedas achado num galpão na Carolina do Norte passou dois anos nas mãos do FBI e foi devolvido sem nenhuma conclusão. É o único sequestro de avião sem solução da história americana, segundo a ABC.

Como foi o sequestro do voo 305?

Tudo começou com uma passagem barata. Na véspera do Dia de Ação de Graças, um homem que se apresentou como Dan Cooper pagou US$ 20 em dinheiro vivo por um bilhete só de ida de Portland para Seattle, no voo 305 da Northwest Orient, segundo o site histórico HistoryLink. Ele usava terno, camisa branca e gravata preta, aparentava ter 40 e poucos anos e pediu um bourbon com soda antes da decolagem.

Pouco depois das 15h, ele entregou um bilhete a uma comissária. Dizia ter uma bomba na maleta e, em seguida, mostrou rapidamente o que parecia ser fios e bastões vermelhos. Então fez as exigências: US$ 200 mil em notas de US$ 20 e quatro paraquedas, de acordo com o FBI.

Retrato falado de D.B. Cooper feito pelo FBI
Retrato falado de D.B. Cooper divulgado pelo FBI a partir dos relatos da tripulação. Foto: FBI (domínio público)

O que aconteceu depois que o avião pousou em Seattle?

Em Seattle, o sequestrador trocou os 36 passageiros pelo dinheiro e pelos paraquedas. Depois, manteve parte da tripulação a bordo e mandou o avião seguir para a Cidade do México. Na rota, o Boeing 727 voava devagar e baixo, a cerca de 10 mil pés, segundo o HistoryLink.

Pouco depois das 20h, com a escada traseira do avião aberta, ele pulou com o dinheiro na escuridão. Ninguém viu o salto. Para trás, ficaram uma gravata preta e um dos paraquedas, que o FBI guardou como prova.

Escada traseira de um Boeing 727, por onde D.B. Cooper saltou do avião
Escada traseira de um Boeing 727-100, do mesmo tipo usado no salto (imagem ilustrativa). Foto: Bill Abbott/Flickr (CC BY-SA 2.0)

Por que ele ficou conhecido como D.B. Cooper?

Por um erro de imprensa. O nome no bilhete era Dan Cooper. No entanto, logo no começo da cobertura, a agência UPI divulgou por engano “D. B. Cooper”, e o apelido pegou, segundo o HistoryLink. O FBI corrigiu a informação no dia seguinte, mas já era tarde.

O próprio FBI explica a confusão. Um homem com essas iniciais chegou a ser interrogado no início da investigação, mas não tinha nada a ver com o sequestro. Desde então, o “D.B.” ficou como marca de um personagem que ninguém conseguiu identificar.

Alguém encontrou o dinheiro de D.B. Cooper?

Só uma parte, e por acaso. Em 10 de fevereiro de 1980, um menino de 8 anos chamado Brian Ingram estava em Tena Bar, uma praia na margem do rio Columbia, perto de Vancouver, no estado de Washington. Ali, ele achou pacotes apodrecidos com US$ 5.800 em notas de US$ 20. Os números de série batiam com os do resgate, que tinham sido registrados em microfilme antes da entrega.

O achado deu mais perguntas do que respostas. Ou seja, ninguém sabe como o dinheiro foi parar ali, nem onde estão os outros US$ 194.200. Em 1986, um juiz dividiu as notas entre o FBI, Ingram e uma seguradora. Anos depois, em 2008, 15 dessas notas foram leiloadas por US$ 37 mil, segundo o HistoryLink. Por isso, o FBI considera a hipótese de que Cooper não tenha sobrevivido ao salto.

Quem eram os principais suspeitos?

A investigação, batizada de NORJAK, ouviu centenas de pessoas. Segundo o FBI, mais de 800 suspeitos foram considerados, e cerca de duas dúzias continuavam na lista cinco anos depois. Nenhum deles foi acusado pelo sequestro do voo 305.

O nome mais conhecido é o de Richard Floyd McCoy. Menos de cinco meses depois, ele foi preso por um sequestro de avião muito parecido. Mesmo assim, o FBI o descartou como Cooper, porque ele não batia com a descrição feita pelas testemunhas. McCoy morreu num tiroteio com agentes do FBI em 1974. Até hoje, nenhuma autoridade o apontou oficialmente como o homem do voo 305.

O caso de D.B. Cooper foi encerrado?

Oficialmente, sim. Em julho de 2016, o FBI anunciou que deixaria de investigar o caso de forma ativa para usar os recursos em outras prioridades. Ainda assim, a agência continua aceitando provas físicas novas, como o resto do dinheiro ou paraquedas ligados ao sequestro.

E elas continuam aparecendo. Segundo o jornal Cowboy State Daily, o piloto e youtuber Dan Gryder encontrou um paraquedas num galpão da família de McCoy, na Carolina do Norte. O FBI apreendeu o equipamento em 2024 e o devolveu à família em dezembro de 2025, sem dizer se ele tem relação com o caso. Enquanto isso, em 2025, o FBI tornou públicas centenas de páginas novas do processo, com pistas, suspeitos e até golpistas que se passaram por Cooper, segundo a ABC.

O que mudou na aviação por causa de D.B. Cooper?

O salto mudou o desenho dos aviões. Depois de outros sequestros parecidos em 1972, a autoridade de aviação dos Estados Unidos passou a exigir nos Boeing 727 uma pequena trava que impede a escada traseira de abrir em voo. Até hoje, ela é chamada de “Cooper vane”, a trava de Cooper.

Quase 55 anos depois, o caso segue como começou: um bilhete de US$ 20, uma gravata e um homem que saiu pela porta de trás de um avião. Outros crimes milionários terminaram com presos e parte do dinheiro recuperada, como o assalto ao Banco Central de Fortaleza. Já o de D.B. Cooper entrou para a lista dos mistérios que seguem abertos, ao lado do roubo do Louvre, cujas joias nunca apareceram. A pergunta continua a mesma: quem era ele, e para onde foi o dinheiro?

Pedro Paracampos

Roteirista e produtor. Chamado pela imprensa de “prodígio do cinema”. Cofundador do Resenha Rentável.

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