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Carro sem motorista do Google: o que é a Waymo e quanto custa

A empresa nasceu como um projeto de garagem do Google em 2009, hoje roda em 14 cidades americanas e já cobra quase o mesmo que um Uber.

Redação 6 min de leitura
Foto: Lars Plougmann/Flickr (CC BY-SA 2.0)

O que é a Waymo? É a empresa de carros sem motorista do grupo Alphabet, dono do Google, que leva passageiros pagantes sem ninguém ao volante em 14 cidades dos Estados Unidos. Segundo o Electrek, a empresa já faz cerca de 500 mil corridas pagas por semana e mira 1 milhão por semana até o fim de 2026.

O assunto importa porque o robotáxi deixou de ser teste. Em fevereiro de 2026, a Waymo levantou US$ 16 bilhões com investidores, numa rodada que avaliou a empresa em US$ 126 bilhões, de acordo com a Associated Press, publicada pelo Star Tribune. Além disso, a disputa já mexe com quem vive de dirigir: no Brasil, mais de 1 milhão de pessoas trabalham com aplicativos de transporte, como mostra a reportagem sobre quantos motoristas existem no Brasil.

Como a Waymo nasceu dentro do Google?

A história começa em 2009, quando o Google criou um projeto interno de carro autônomo. O desafio inicial era rodar sozinho, sem interrupção, dez rotas de 160 quilômetros cada com carros Toyota Prius, segundo a linha do tempo da própria empresa reproduzida pelo ClickOrlando. Poucos meses depois, o grupo já tinha acumulado mais quilômetros autônomos do que qualquer outro projeto até então.

Em 2015, veio o marco simbólico. Um protótipo sem volante nem pedais levou Steve Mahan, um homem legalmente cego, por ruas públicas de Austin, no Texas. Esse carro, apelidado de Firefly, hoje está exposto em museu. Depois, em 2016, o projeto saiu de dentro do Google e virou uma empresa independente do grupo, com o nome Waymo.

Firefly, o protótipo da Waymo sem volante, em exposição
O Firefly, protótipo sem volante nem pedais, exposto no Computer History Museum, na Califórnia. Foto: Francisco Antunes/Flickr (CC BY 4.0)

Onde a Waymo funciona hoje?

O primeiro serviço comercial começou na região de Phoenix, no Arizona, em 2018. Em 2020, as corridas sem ninguém no banco do motorista foram abertas a todo o público da cidade. Desde então, a empresa chegou a San Francisco e Los Angeles e, depois, a Atlanta, Austin e Miami. Em Atlanta e Austin, o passageiro chama o carro pelo aplicativo da Uber, parceira da Waymo nessas duas cidades.

Em 2026, a expansão acelerou. Em fevereiro, entraram Dallas, Houston, San Antonio e Orlando. Em julho, Las Vegas ganhou o serviço sem motorista. Por fim, em 1º de setembro, Denver, San Diego e Tampa abriram as corridas pagas ao público, segundo o Drive Tesla Canada. Com isso, a Waymo soma 14 cidades americanas. Fora dos EUA, Londres e Tóquio estão nos planos.

Carro da Waymo em Tempe, no Arizona
Carro sem motorista da Waymo em Tempe, no Arizona, em 2018, ano em que o serviço comercial começou na região de Phoenix. Foto: zombieite/Flickr (CC BY 2.0)

Como funciona o carro sem motorista da Waymo?

Na prática, o carro enxerga a rua com três tipos de sensor. As câmeras leem placas, semáforos e faixas. O lidar, uma espécie de radar a laser que fica girando no teto, mede a distância de tudo ao redor e monta um mapa em 3D. Já os radares comuns ajudam a ver objetos em movimento, inclusive com chuva e neblina. Um software de inteligência artificial junta essas informações e decide quando acelerar, frear ou virar.

A versão mais nova do sistema, a sexta geração do chamado Waymo Driver, começou a rodar sem motorista de segurança em fevereiro de 2026. Segundo o Electrek, ela usa 13 câmeras, 4 lidars e 6 radares, ou seja, 42% menos sensores do que a geração anterior, que tinha 29 câmeras. Menos peças significa um carro mais barato de montar. Essa versão equipa a minivan Ojai, feita pela chinesa Zeekr, e o Hyundai Ioniq 5.

Robotáxi da Waymo, um Jaguar I-Pace com sensores no teto
Jaguar I-Pace adaptado pela Waymo, o modelo que virou a cara da frota de robotáxis. Foto: elisfkc/Flickr (CC BY-SA 2.0)

Quanto custa uma corrida de Waymo?

O preço varia conforme a cidade, a distância e o horário, assim como no Uber. Mesmo assim, a diferença entre os dois vem caindo. Um levantamento da empresa de pesquisa Obi, divulgado pelo TechCrunch, simulou mais de 94 mil pedidos de corrida na região de San Francisco entre o fim de novembro de 2025 e 1º de janeiro de 2026.

No período, a corrida média de Waymo saiu por US$ 19,69, contra US$ 17,47 no Uber e US$ 15,47 no Lyft. Ou seja, o robotáxi ficou cerca de 13% mais caro que o Uber. Em abril de 2025, a diferença era bem maior, perto de 31%. Por outro lado, a espera é mais longa: 5,7 minutos em média na Waymo, contra pouco mais de 3 minutos no Uber.

A Waymo é mais segura que um motorista humano?

Segundo a própria empresa, sim. Em dados divulgados em setembro de 2026, a Waymo afirma que seus carros rodaram mais de 270 milhões de milhas sem motorista até junho. Nesse total, houve 82% menos acidentes com feridos e 95% menos acidentes graves do que motoristas humanos fariam nas mesmas cidades. Para atropelamentos de pedestres com feridos, a redução informada é de 93%.

Esses números vêm da Waymo, que diz validar a comparação com a resseguradora Swiss Re. No entanto, o serviço também tem problemas registrados. Carros travaram em cruzamentos sem semáforo durante um apagão, e o NTSB, órgão americano que investiga acidentes de trânsito, apura queixas de robotáxis que passaram por ônibus escolares parados em Austin, segundo a Associated Press.

O que a Waymo significa para a Uber e os motoristas?

Por enquanto, a Waymo é sócia e rival da Uber ao mesmo tempo. Em algumas cidades, os dois dividem o aplicativo; em outras, disputam o mesmo passageiro. Além disso, a corrida pelo robotáxi atrai outros gigantes, como a Zoox, da Amazon, e a Tesla, de Elon Musk, cujos negócios aparecem na reportagem sobre a fusão da SpaceX e da Tesla.

A meta de 1 milhão de corridas por semana dá a dimensão do salto. Afinal, a empresa fechou 2025 com 15 milhões de corridas no ano, segundo o Electrek. Se o ritmo continuar, a pergunta deixa de ser se o carro sem motorista funciona e passa a ser quando ele chega a mais cidades, inclusive fora dos Estados Unidos.

Em resumo, o que é a Waymo? É o braço de carros autônomos do Google, que nasceu em 2009, virou empresa em 2016 e hoje opera em 14 cidades americanas, com preço já próximo ao de um carro de aplicativo comum.

O Resenha Rentável andou num Waymo em Los Angeles e comparou com o Uber. Veja como foi:

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