Halloween nos EUA movimenta US$ 13,5 bilhões e bate recorde
Fantasias, doces, decoração e até roupa para cachorro: veja para onde vai o dinheiro da noite mais assustadora do ano e como uma festa celta virou uma indústria.

O Halloween nos EUA deve movimentar US$ 13,5 bilhões em 2026, o maior valor já registrado, segundo a pesquisa anual da Federação Nacional do Varejo (NRF), a maior associação de lojistas do país. Com o dólar a R$ 5,44, cotação de 30 de outubro segundo o InvesTalk, do Banco do Brasil, a conta passa de R$ 73 bilhões. Na prática, a noite de 31 de outubro virou uma das datas mais lucrativas do calendário americano.
O número chama atenção porque o recorde anterior era do ano passado, de US$ 13,1 bilhões. Ou seja, mesmo com o custo de vida nos Estados Unidos pesando no bolso, o americano não abriu mão da festa. Além disso, o Halloween mostra como uma tradição pode virar uma cadeia inteira de negócios: fábricas de fantasias, marcas de doces, lojas que só abrem por dois meses e até o cinema de terror, como mostramos no texto sobre filmes de terror baratos.
Quanto os americanos gastam no Halloween?
Em média, cada pessoa que participa da data deve gastar US$ 115,14 em 2026, contra US$ 114,45 no ano anterior. O levantamento foi feito pela NRF com a consultoria Prosper Insights & Analytics, que ouviu 7.889 consumidores entre 1º e 9 de setembro. A margem de erro é de 1,1 ponto percentual, e a pesquisa é feita todo ano desde 2005.
Mais gente também entrou na brincadeira. Segundo a NRF, 74% dos americanos pretendem comemorar o Halloween em 2026, contra 73% em 2025 e 68% em 2019. Por isso, o total sobe mesmo quando o gasto por pessoa quase não muda. “Os consumidores continuam fazendo do Halloween uma prioridade de gasto”, disse Allison Zeller, vice-presidente da NRF, no anúncio da pesquisa.
Em que vai o dinheiro do Halloween nos EUA?
As fantasias lideram, com US$ 4,4 bilhões, e 71% de quem comemora pretende comprar pelo menos uma. Logo atrás vêm a decoração, com US$ 4,3 bilhões e 78% de compradores, e os doces, com US$ 4,1 bilhões. Os doces, aliás, são o item mais universal da data: 96% dos participantes dizem que vão comprar. Por fim, os cartões comemorativos somam US$ 0,8 bilhão, comprados por 42% do público.

Dentro das fantasias, os adultos gastam mais que as crianças: US$ 2 bilhões contra US$ 1,5 bilhão. Os bichos de estimação também ganharam orçamento próprio, com US$ 0,92 bilhão. Em outras palavras, cerca de um dólar a cada cinco gastos com fantasia vai para cachorros e gatos.

Quais fantasias mais vendem no Halloween?
Entre as crianças, o Homem-Aranha domina com folga: 4,6 milhões devem usar a fantasia do herói, segundo a NRF. Em seguida aparecem super-herói genérico, princesa, bruxa e fantasma. Já entre os adultos, a bruxa lidera, com 4,8 milhões, seguida por vampiro, Batman, Homem-Aranha e fantasma.
Para os pets, a fantasia mais popular é a de abóbora, escolhida por 11,6% dos donos, à frente de cachorro-quente e fantasma. Ou seja, os personagens de cinema e quadrinhos seguem como a maior vitrine da data. Afinal, cada sucesso de bilheteria vira, meses depois, uma prateleira de fantasias licenciadas.
Como o Halloween virou um negócio tão grande?
A festa nasceu longe do comércio. Segundo a Forbes Brasil, há mais de 2 mil anos os povos celtas celebravam o Samhain no fim de outubro, para marcar o fim da colheita e a chegada do inverno. Depois da grande fome de 1845 na Irlanda, milhares de irlandeses migraram para os Estados Unidos e levaram a tradição. Lá, os nabos usados como lanternas deram lugar às abóboras, que os fazendeiros americanos plantavam em grande quantidade.

Hoje, o calendário do varejo começa cada vez mais cedo. De acordo com a NRF, 49% dos consumidores planejam começar as compras em setembro ou antes, contra 34% em 2016. Além disso, 39% compram em lojas de desconto, 32% em lojas especializadas e 27% pela internet. A tecnologia também entrou na festa: 47% disseram que usam ferramentas de inteligência artificial para escolher o que comprar.
Como funciona a loja que só abre no Halloween?
O exemplo mais curioso é a Spirit Halloween, rede de lojas temporárias que ocupa pontos comerciais vazios só durante a temporada. Em 2026, a empresa planejou abrir cerca de 1.500 lojas nos Estados Unidos e no Canadá e contratar mais de 52 mil funcionários temporários, segundo a Scripps News. Em junho, o portal NJBIZ chegou a falar em 1.575 endereços.
A lógica do modelo é simples: a procura se concentra em poucas semanas do ano. Por isso, em vez de pagar aluguel o ano inteiro, a rede abre a loja só na temporada, vende o estoque e fecha quando a festa acaba. É a lógica clássica do negócio sazonal: pouco tempo, muito movimento e estoque bem calculado.
O Halloween também movimenta o comércio no Brasil?
Movimenta, ainda que em escala bem menor. A Associação Brasileira de Artigos para Festas (Abrafest) projeta alta de 12% nas vendas de Halloween em 2026, segundo o Economic News Brasil. Uma pesquisa da Globo citada no mesmo texto mostra que 30% dos adultos têm interesse em fantasias e acessórios, e 27% em itens de decoração.

No fim, o Halloween nos EUA mostra como uma data cultural vira motor de consumo quando cinema, marcas e varejo trabalham juntos. São US$ 13,5 bilhões gastos em uma única noite, puxados por fantasias de super-herói, abóboras e muito doce.

Diretor e produtor. Apontado pela imprensa como uma das jovens promessas de Hollywood. Cofundador do Resenha Rentável.
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