Democratas conquistam Câmara e Senado nas eleições dos EUA
O Partido Democrata virou as duas casas do Congresso americano na madrugada desta quarta. Veja quais cadeiras mudaram de mãos, o que muda para Trump e o que isso tem a ver com o dólar.

As eleições dos EUA de 3 de novembro de 2026 terminaram com o Partido Democrata no controle da Câmara e do Senado. Segundo a agência AP, citada pelo Boston Globe, a maioria democrata no Senado foi projetada às 23h46 de terça (horário de Washington), e a da Câmara por volta de 1h30 desta quarta-feira (4).
O resultado muda o equilíbrio de poder em Washington. Até agora, os republicanos, partido do presidente Donald Trump, tinham maioria nas duas casas. A partir da posse do novo Congresso, o governo passa a negociar cada lei e cada orçamento com a oposição. Por isso, a votação desta semana define o ritmo dos dois últimos anos do mandato, como o blog explicou antes da disputa, em o que estava em jogo nas eleições de meio de mandato.
Quem ganhou as eleições dos EUA?
Os democratas venceram nas duas casas. Antes da votação, os republicanos tinham 53 das 100 cadeiras do Senado e 218 das 435 da Câmara, contra 214 dos democratas, segundo a CBS News. Ou seja, a oposição precisava de quatro cadeiras a mais em cada casa para virar o jogo.
No Senado, a virada já está garantida. Segundo a CNN Brasil, às 5h24 desta quarta (horário de Brasília) o placar era de 54 senadores democratas contra 42 republicanos, com sete cadeiras trocando de partido. Ainda havia disputas sem resultado oficial, entre elas as do Alasca e de Montana.

Quais cadeiras do Senado mudaram de partido?
As sete cadeiras viradas eram todas republicanas. Segundo o Boston Globe, os democratas venceram na Carolina do Norte, com Roy Cooper; na Carolina do Sul, com Annie Andrews; no Texas, com James Talarico, que derrotou Ken Paxton; e em Ohio, com Sherrod Brown, que venceu Jon Husted. Além disso, o partido ganhou no Kansas, com Adam Hamilton; em Iowa, com Josh Turek; e no Maine, onde Troy Jackson derrotou a senadora Susan Collins.
Collins era uma das republicanas mais conhecidas do Senado. Segundo o Maine Morning Star, Collins reconheceu a derrota na disputa com Jackson. Nos governos estaduais, o mapa também mudou. Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms (democrata) será a primeira mulher negra governadora do estado, enquanto na Flórida Byron Donalds (republicano) será o primeiro governador negro, segundo a Euronews.
Como fica a Câmara dos Representantes?
Na Câmara, a contagem ainda não terminou, mas a maioria democrata já foi projetada. Segundo o Boston Globe, os democratas tinham 224 cadeiras confirmadas contra 134 dos republicanos no momento da reportagem, e viraram mais de duas dezenas de distritos. O número final pode levar dias. Em eleições recentes, o controle da Câmara só ficou claro depois de cerca de oito dias de apuração, segundo o Metrópoles.
Com a maioria, o líder democrata Hakeem Jeffries, deputado por Nova York, fica em posição de ser eleito presidente da Câmara. Se isso acontecer, ele será o primeiro negro no cargo. Hoje, a presidência da Casa é do republicano Mike Johnson.
O que muda para Trump com o Congresso nas mãos dos democratas?
Na prática, o presidente perde a facilidade que tinha para aprovar leis. Segundo o Metrópoles, a maioria na Câmara permite aos democratas comandar as comissões, convocar autoridades, pedir documentos e abrir investigações. A Câmara também pode abrir um processo de impeachment, mas a condenação exige dois terços do Senado, ou seja, 67 votos, número que nenhum partido tem.
Já o controle do Senado dá à oposição o poder de atrasar ou barrar indicações do governo, como as de juízes federais e de uma eventual vaga na Suprema Corte. Além disso, Trump não pode disputar a eleição de 2028, porque já cumpriu dois mandatos. Assim, as midterms de 2026 foram a última eleição nacional com ele no centro da campanha.
O que os dois lados dizem sobre o resultado?
Trump comentou o resultado na rede Truth Social. Segundo a Northeastern University, ele escreveu que os republicanos teriam vencido “de lavada” se ele estivesse na cédula. Do lado democrata, Hakeem Jeffries declarou que “a América está de volta”, segundo a NPR.
Entre os analistas, as leituras variam. Para o cientista político Costas Panagopoulos, da Northeastern, o resultado é um repúdio às políticas do governo. Por outro lado, a professora Martha Johnson, da mesma universidade, aponta problemas na escolha de candidatos republicanos e afirma que a vitória não é, necessariamente, um apoio à agenda democrata.

O resultado das eleições dos EUA mexe com o dólar e o Brasil?
Mexe, mas de forma indireta. Antes da votação, analistas ouvidos pela CNN Brasil disseram que a vitória democrata já estava, em boa parte, no preço dos ativos. Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, um Congresso de oposição pode significar menos estímulo fiscal nos EUA, o que tende a aliviar os juros americanos e favorecer o real, ainda que com efeito fraco por aqui.
Mesmo assim, ninguém promete calmaria. Bruna Allemann, da Nomos, lembrou que um presidente travado pelo Congresso tende a governar mais por decreto e pela política externa: “Tarifa pode ficar mais imprevisível, não menos”, disse ela à CNN Brasil. Por isso, o efeito sobre o tarifaço de Trump contra produtos brasileiros ainda é incerto. Para o bolso, o dólar continua mais ligado aos juros e ao cenário interno, como mostrou a alta recente explicada em por que o dólar subiu para R$ 5,50.
O placar final da Câmara ainda vai levar alguns dias, mas o recado das urnas já está dado: Trump vai governar a reta final do mandato com a oposição no comando das duas casas do Congresso.

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