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Carro voador em São Paulo deve começar com 5 a 10 pontos de pouso

Faria Lima, Berrini, Alphaville, Expo Imigrantes e Campo de Marte estão no radar. O problema é que ainda não existe nenhuma aeronave certificada para voar.

Redação 5 min de leitura
Foto: Reprodução/YouTube/Eve Air Mobility

O carro voador em São Paulo deve começar a operar com uma rede de 5 a 10 pontos de pouso e decolagem, os vertiportos, segundo a PAX Aeroportos. Os locais estudados são Alphaville, Berrini, Faria Lima, Expo Imigrantes e o aeroporto Campo de Marte. Porém, ainda não há data para o primeiro voo comercial, porque nenhuma aeronave do tipo foi certificada no Brasil.

A informação foi dada pelo presidente da PAX Aeroportos, Rogério Prado, em entrevista ao Estadão/Broadcast publicada neste domingo (18) pelo InfoMoney. Além disso, o assunto pesa porque o Brasil tem a segunda maior frota de aviação executiva do mundo, com cerca de 4.200 aeronaves, segundo a Abag citada pelo J.P. Morgan. Na prática, o “carro voador” é um eVTOL, sigla em inglês para aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical. Ele decola como um helicóptero, mas usa vários rotores elétricos e asas.

Onde o carro voador em São Paulo vai pousar?

Os cinco pontos citados saíram de estudos de demanda que a PAX fez com a italiana UrbanV. São regiões com muitos escritórios, como a Faria Lima e a Berrini, ou com muito movimento de empresas e eventos, como Alphaville e a Expo Imigrantes. Já o Campo de Marte é um aeroporto que já existe, na zona norte da capital.

Segundo Prado, a rede precisa ter pelo menos cinco pontos para começar a funcionar. “Você precisava de uma rede no mínimo de cinco a dez pontos para ela começar a funcionar”, disse ao Estadão. Por isso, a estratégia é aproveitar estruturas que já existem, como helipontos e aeroportos, para gastar menos no começo.

Protótipo do carro voador da Eve, que pode operar em São Paulo
Protótipo em escala real do eVTOL da Eve, apresentado pela Embraer em julho de 2024. Foto: Reprodução/YouTube/Embraer

A energia também entra na conta. De acordo com o executivo, um vertiporto construído do zero, com três ou quatro pontos de recarga, pode precisar de 1 a 4 megawatts. “Energia temos. O que precisará de atenção é o acesso à rede”, afirmou. Além disso, as regras de zoneamento da cidade terão de mudar para permitir os vertiportos.

Quando o carro voador começa a voar em São Paulo?

Ainda não há data. Prado disse que as primeiras aeronaves são esperadas a partir de 2028 e que essa meta de certificação é possível. No entanto, ele ressaltou que isso não quer dizer que as viagens comerciais comecem no mesmo ano.

O calendário já mudou mais de uma vez. Segundo relatório do J.P. Morgan citado pela Bloomberg Línea em julho de 2026, a certificação da Eve, empresa de “carros voadores” ligada à Embraer, passou de 2026 para 2027 e agora está prevista para 2028. Para os analistas do banco, “o crescimento do mercado de eVTOL permanece uma incógnita”.

Enquanto isso, a PAX lidera um dos ambientes de teste da Anac, a agência que regula a aviação. Esse ambiente, chamado de sandbox regulatório, permite testar uma tecnologia nova com regras temporariamente mais flexíveis. Segundo o MundoGEO, a empresa assinou o termo em abril de 2025, com prazo de 24 meses, para desenvolver um vertiporto no Campo de Marte. O consórcio inclui UrbanV, Gol, Eve e Saipher.

Quem fabrica o carro voador brasileiro?

A principal aposta nacional é a Eve Air Mobility, criada pela Embraer, a fabricante de aviões de São José dos Campos que também vende jatos para fora, como mostra o acordo da Embraer com a Japan Airlines. O protótipo em escala real da Eve fez o primeiro voo em 19 de dezembro de 2025, em Gavião Peixoto (SP). Foi um voo pairado, controlado de forma remota e sem ninguém a bordo, de cerca de um minuto, segundo a Revista Pesquisa Fapesp.

Voo de teste do carro voador da Eve em Gavião Peixoto
Voo de teste do protótipo da Eve em Gavião Peixoto (SP). Foto: Reprodução/YouTube/Eve Air Mobility

Desde então, os testes avançaram. Em agosto de 2026, a Aviation Week informou que a empresa já tinha feito quase 70 voos com o demonstrador e mantinha a meta de certificação em 2028. Os voos com piloto em aeronaves de série estão previstos para o segundo semestre de 2027.

A aeronave da Eve leva até 4 passageiros e 1 piloto, segundo o Olhar Digital. Cada unidade custa cerca de US$ 1,5 milhão (aproximadamente R$ 8 milhões), de acordo com a Revista Pesquisa Fapesp. Em fevereiro de 2026, a carteira de intenções de compra girava em torno de 3 mil unidades, mas a própria reportagem lembra que intenção ainda não é contrato firme.

Quanto vai custar uma viagem de carro voador?

Ainda não há preço oficial. Prado defende uma estrutura enxuta justamente para que a tarifa não fique cara demais. Segundo ele, um investimento exagerado nos vertiportos poderia encarecer as viagens e travar a expansão, que deve começar com poucas aeronaves. A estimativa é que cada eVTOL faça cerca de sete viagens por dia.

O J.P. Morgan é mais cauteloso. Para o banco, o custo por viagem do eVTOL não deve ficar muito abaixo do helicóptero. Isso porque as despesas para operar podem ser de 40% a 50% menores, mas a aeronave custa quase o mesmo para comprar. Ou seja, no começo, o carro voador em São Paulo deve atender o mesmo público que hoje usa helicóptero.

O que ainda falta para o carro voador sair do papel?

O maior obstáculo é a falta de uma aeronave certificada. Sem ela, as empresas não conseguem fazer testes completos nem confirmar custos de manutenção e de operação. “A gente precisa provar a tese de plano de negócio com modelos e estudos, mas seria ótimo ter uma aeronave”, disse Prado.

Mesmo assim, o executivo avalia que o Brasil está entre os países mais avançados na preparação, com Anac, Decea (o órgão que controla o espaço aéreo), prefeituras e operadores trabalhando no tema. Segundo ele, uma aeronave aprovada nos Estados Unidos poderia ser liberada no Brasil com relativa rapidez, e vice-versa. Enquanto o carro voador não chega, a mobilidade sem motorista avança por terra, como mostra o avanço da direção autônoma e o que ela significa para os motoristas.

Em resumo, São Paulo já tem mapa, regras em teste e empresas interessadas. Falta o principal: a aeronave liberada para voar com passageiros, o que, pelas previsões atuais, não acontece antes de 2028.

Redação

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