Carro voador em São Paulo deve começar com 5 a 10 pontos de pouso
Faria Lima, Berrini, Alphaville, Expo Imigrantes e Campo de Marte estão no radar. O problema é que ainda não existe nenhuma aeronave certificada para voar.

O carro voador em São Paulo deve começar a operar com uma rede de 5 a 10 pontos de pouso e decolagem, os vertiportos, segundo a PAX Aeroportos. Os locais estudados são Alphaville, Berrini, Faria Lima, Expo Imigrantes e o aeroporto Campo de Marte. Porém, ainda não há data para o primeiro voo comercial, porque nenhuma aeronave do tipo foi certificada no Brasil.
A informação foi dada pelo presidente da PAX Aeroportos, Rogério Prado, em entrevista ao Estadão/Broadcast publicada neste domingo (18) pelo InfoMoney. Além disso, o assunto pesa porque o Brasil tem a segunda maior frota de aviação executiva do mundo, com cerca de 4.200 aeronaves, segundo a Abag citada pelo J.P. Morgan. Na prática, o “carro voador” é um eVTOL, sigla em inglês para aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical. Ele decola como um helicóptero, mas usa vários rotores elétricos e asas.
Onde o carro voador em São Paulo vai pousar?
Os cinco pontos citados saíram de estudos de demanda que a PAX fez com a italiana UrbanV. São regiões com muitos escritórios, como a Faria Lima e a Berrini, ou com muito movimento de empresas e eventos, como Alphaville e a Expo Imigrantes. Já o Campo de Marte é um aeroporto que já existe, na zona norte da capital.
Segundo Prado, a rede precisa ter pelo menos cinco pontos para começar a funcionar. “Você precisava de uma rede no mínimo de cinco a dez pontos para ela começar a funcionar”, disse ao Estadão. Por isso, a estratégia é aproveitar estruturas que já existem, como helipontos e aeroportos, para gastar menos no começo.

A energia também entra na conta. De acordo com o executivo, um vertiporto construído do zero, com três ou quatro pontos de recarga, pode precisar de 1 a 4 megawatts. “Energia temos. O que precisará de atenção é o acesso à rede”, afirmou. Além disso, as regras de zoneamento da cidade terão de mudar para permitir os vertiportos.
Quando o carro voador começa a voar em São Paulo?
Ainda não há data. Prado disse que as primeiras aeronaves são esperadas a partir de 2028 e que essa meta de certificação é possível. No entanto, ele ressaltou que isso não quer dizer que as viagens comerciais comecem no mesmo ano.
O calendário já mudou mais de uma vez. Segundo relatório do J.P. Morgan citado pela Bloomberg Línea em julho de 2026, a certificação da Eve, empresa de “carros voadores” ligada à Embraer, passou de 2026 para 2027 e agora está prevista para 2028. Para os analistas do banco, “o crescimento do mercado de eVTOL permanece uma incógnita”.
Enquanto isso, a PAX lidera um dos ambientes de teste da Anac, a agência que regula a aviação. Esse ambiente, chamado de sandbox regulatório, permite testar uma tecnologia nova com regras temporariamente mais flexíveis. Segundo o MundoGEO, a empresa assinou o termo em abril de 2025, com prazo de 24 meses, para desenvolver um vertiporto no Campo de Marte. O consórcio inclui UrbanV, Gol, Eve e Saipher.
Quem fabrica o carro voador brasileiro?
A principal aposta nacional é a Eve Air Mobility, criada pela Embraer, a fabricante de aviões de São José dos Campos que também vende jatos para fora, como mostra o acordo da Embraer com a Japan Airlines. O protótipo em escala real da Eve fez o primeiro voo em 19 de dezembro de 2025, em Gavião Peixoto (SP). Foi um voo pairado, controlado de forma remota e sem ninguém a bordo, de cerca de um minuto, segundo a Revista Pesquisa Fapesp.

Desde então, os testes avançaram. Em agosto de 2026, a Aviation Week informou que a empresa já tinha feito quase 70 voos com o demonstrador e mantinha a meta de certificação em 2028. Os voos com piloto em aeronaves de série estão previstos para o segundo semestre de 2027.
A aeronave da Eve leva até 4 passageiros e 1 piloto, segundo o Olhar Digital. Cada unidade custa cerca de US$ 1,5 milhão (aproximadamente R$ 8 milhões), de acordo com a Revista Pesquisa Fapesp. Em fevereiro de 2026, a carteira de intenções de compra girava em torno de 3 mil unidades, mas a própria reportagem lembra que intenção ainda não é contrato firme.
Quanto vai custar uma viagem de carro voador?
Ainda não há preço oficial. Prado defende uma estrutura enxuta justamente para que a tarifa não fique cara demais. Segundo ele, um investimento exagerado nos vertiportos poderia encarecer as viagens e travar a expansão, que deve começar com poucas aeronaves. A estimativa é que cada eVTOL faça cerca de sete viagens por dia.
O J.P. Morgan é mais cauteloso. Para o banco, o custo por viagem do eVTOL não deve ficar muito abaixo do helicóptero. Isso porque as despesas para operar podem ser de 40% a 50% menores, mas a aeronave custa quase o mesmo para comprar. Ou seja, no começo, o carro voador em São Paulo deve atender o mesmo público que hoje usa helicóptero.
O que ainda falta para o carro voador sair do papel?
O maior obstáculo é a falta de uma aeronave certificada. Sem ela, as empresas não conseguem fazer testes completos nem confirmar custos de manutenção e de operação. “A gente precisa provar a tese de plano de negócio com modelos e estudos, mas seria ótimo ter uma aeronave”, disse Prado.
Mesmo assim, o executivo avalia que o Brasil está entre os países mais avançados na preparação, com Anac, Decea (o órgão que controla o espaço aéreo), prefeituras e operadores trabalhando no tema. Segundo ele, uma aeronave aprovada nos Estados Unidos poderia ser liberada no Brasil com relativa rapidez, e vice-versa. Enquanto o carro voador não chega, a mobilidade sem motorista avança por terra, como mostra o avanço da direção autônoma e o que ela significa para os motoristas.
Em resumo, São Paulo já tem mapa, regras em teste e empresas interessadas. Falta o principal: a aeronave liberada para voar com passageiros, o que, pelas previsões atuais, não acontece antes de 2028.

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