História da LEGO: como a empresa quase faliu e voltou ao topo
Uma carpintaria numa vila da Dinamarca, uma peça patenteada às 13h58 de 1958 e um prejuízo que quase acabou com tudo. Como a fabricante de brinquedos virou uma máquina de lucro.

A história da LEGO começa em 1932, numa carpintaria da pequena cidade de Billund, na Dinamarca, e passa por uma quase falência no começo dos anos 2000. Hoje, a fabricante das pecinhas de encaixe vive o melhor momento da sua história. Em 2025, ela faturou 83,5 bilhões de coroas dinamarquesas e lucrou 16,7 bilhões, segundo o balanço oficial da empresa.
A virada da LEGO é estudada até hoje porque mostra um erro comum em empresas que crescem demais: esquecer o que as tornou especiais. Além disso, a marca é um caso raro de empresa familiar que continua fechada, sem ações na bolsa, e ainda assim disputa espaço com gigantes americanas. Entender como ela caiu e se levantou ajuda a entender qualquer negócio.
Como começou a história da LEGO?
O carpinteiro Ole Kirk Christiansen começou a fazer brinquedos de madeira em agosto de 1932, segundo o verbete da Wikipédia sobre a história da empresa. Dois anos depois, em 1934, a pequena fábrica ganhou o nome LEGO, uma junção das palavras dinamarquesas “leg godt”, que significam “brinque bem”.
O plástico entrou na história depois da Segunda Guerra. Em 1947, a empresa comprou uma máquina de injeção de plástico e, a partir de 1949, passou a vender blocos de encaixe chamados “Automatic Binding Bricks”. Porém, os primeiros blocos eram ocos por baixo e soltavam com facilidade. Por isso, os clientes reclamavam que as construções desmontavam.

Por que a peça de 1958 mudou tudo?
A solução veio com pequenos tubos na parte de baixo da peça, que se encaixam nos pinos da peça de cima. Segundo o site oficial da LEGO, o pedido de patente foi feito em 28 de janeiro de 1958, às 13h58. Esse encaixe dá firmeza aos modelos e permite combinar as peças de muitas formas. De acordo com a empresa, seis peças 2×4 podem ser combinadas de 915.103.765 maneiras diferentes.
No mesmo ano, morreu o fundador, e o negócio seguiu nas mãos da família. Depois disso, a empresa foi além da caixa de peças. Em 7 de junho de 1968, abriu o primeiro parque Legoland, em Billund, que recebeu 625 mil visitantes no primeiro ano. Em seguida, em 1978, chegou a minifigura, o bonequinho que virou símbolo da marca.
Como a LEGO quase faliu?
O problema começou nos anos 1990. A LEGO registrou o primeiro prejuízo da sua história em 1998 e demitiu mil funcionários, segundo a Wikipédia. Na tentativa de reagir, a empresa lançou produtos demais, longe das peças clássicas: bonecos de ação, linhas para competir com rivais e até uma série de TV própria.
Quase nada funcionou. A linha Explore, criada para substituir a Duplo, não vendeu e custou 500 milhões de coroas, segundo reportagem da revista AAT Comment. Já os bonecos Galidor e a linha Znap também encalharam. Com isso, em 2003, a LEGO teve um prejuízo antes dos impostos de 1,4 bilhão de coroas, o maior da sua história, de acordo com a mesma reportagem.
Como a LEGO deu a volta por cima?
Em 2004, Jørgen Vig Knudstorp virou o primeiro presidente de fora da família, segundo a Wikipédia. No mesmo ano, a empresa vendeu os parques Legoland para o grupo Merlin Entertainments e passou a cortar o que não dava retorno. Na prática, a estratégia foi voltar ao básico: a peça, os temas que vendiam bem e o controle de custos.
A recuperação levou anos, mas a marca ganhou força com parcerias e com o cinema. Uma Aventura LEGO, lançado em fevereiro de 2014, custou US$ 60 milhões e arrecadou US$ 467 milhões no mundo, segundo o site The Numbers. Naquele ano, puxada pelo filme, a LEGO passou a Mattel, dona da Barbie, e virou a maior fabricante de brinquedos do mundo em vendas no primeiro semestre, segundo a ITV. A relação entre filmes e marcas, aliás, também aparece na matéria sobre quanto custa um product placement.

Quanto a LEGO fatura hoje?
Em 2025, a receita cresceu 12%, para 83,5 bilhões de coroas, e o lucro operacional subiu 18%, para 22 bilhões, segundo o balanço divulgado em março de 2026. As vendas ao consumidor cresceram 16%, mais que o dobro do mercado de brinquedos, que avançou 7%. Os temas que mais venderam foram City, Technic, Star Wars, Icons e Botanicals.
A empresa tem mais de 34 mil funcionários e continua com a família fundadora, segundo o site da LEGO. A holding KIRKBI, da família Kirk Kristiansen, tem 75% do negócio, e a Fundação LEGO tem os outros 25%. O atual presidente é Niels B. Christiansen. Por fim, há um detalhe curioso: em fevereiro de 2026, a LEGO concluiu a compra de 29 centros de diversão LEGO Discovery Centre e LEGOLAND Discovery Centre da mesma Merlin que comprou seus parques na crise.
O que a história da LEGO ensina?
A lição mais citada da história da LEGO é que crescer em todas as direções pode afundar uma empresa forte. A marca quase quebrou quando tentou ser tudo ao mesmo tempo e voltou a crescer quando apostou no que só ela tinha, a peça que encaixa. É o mesmo raciocínio que aparece na trajetória de outras marcas centenárias, como a Coca-Cola, e vale também para o mercado de brinquedos no Brasil, que vive a disputa judicial entre Estrela e Hasbro.

Diretor e produtor. Apontado pela imprensa como uma das jovens promessas de Hollywood. Cofundador do Resenha Rentável.
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