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Opinião

Posse do presidente em 2027 sai de 1º de janeiro e vai para o dia 5

Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos. Veja o calendário até a posse, o que é a diplomação e o que um pedido de anulação pode ou não mudar.

Redação 5 min de leitura
Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado (CC BY 2.0)

A posse do presidente eleito em 2026 vai acontecer em 5 de janeiro de 2027, e não mais em 1º de janeiro. A mudança vem da Emenda Constitucional 111, de 2021, e vale pela primeira vez agora. Assim, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito neste domingo (25), presta o compromisso no Congresso Nacional quatro dias mais tarde do que nas posses anteriores.

Segundo o TSE, Lula teve 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 de Flávio Bolsonaro (PL), que somou 48,21%. Com isso, ele vai para o quarto mandato, algo inédito na história do país, de acordo com a CNN Brasil. No primeiro turno, Flávio havia ficado à frente, com 47,03% contra 45,16%. Por outro lado, Flávio disse que não reconhece o resultado e que vai pedir a anulação da eleição. Por isso, muita gente quer saber o que acontece daqui até a posse.

Quando é a posse do presidente eleito em 2026?

A posse do presidente será na terça-feira, 5 de janeiro de 2027, em sessão do Congresso Nacional, em Brasília. Os governadores tomam posse um dia depois, em 6 de janeiro, nas assembleias legislativas. Já senadores e deputados federais assumem em 1º de fevereiro, como sempre. As datas foram confirmadas pela Agência Senado quando o Congresso promulgou a emenda, em setembro de 2021, e pelo NSC Total.

Na prática, o mandato atual de Lula, que começou em 1º de janeiro de 2023, dura quatro dias a mais. Enquanto isso, quem ocupa os cargos hoje continua no posto até o novo mandato começar.

Fachada do Congresso Nacional, local da posse do presidente
Fachada do Congresso Nacional, onde o presidente presta o compromisso de posse. Foto: Roque de Sá/Agência Senado (CC BY 2.0)

Por que a data da posse mudou?

A posse em 1º de janeiro caía no dia seguinte ao Réveillon. Segundo a Rádio Senado, a nova data foi escolhida para evitar o choque com as festas de início de ano. Além disso, o senador Rodrigo Pacheco explicou que a ideia era permitir que os governadores eleitos e a população pudessem ir às duas cerimônias.

A Emenda Constitucional 111 fez parte da reforma eleitoral de 2021. Ela separou a posse do presidente (dia 5) da posse dos governadores (dia 6), justamente para que uma não atrapalhe a outra. Ou seja, a mudança é de calendário e não altera a duração do mandato, que continua sendo de quatro anos.

O que é a diplomação e quando ela acontece?

Antes da posse, vem a diplomação. É a entrega do diploma que comprova que o candidato foi eleito e está apto a assumir. Em resumo, a eleição escolhe, a diplomação habilita e a posse investe a pessoa no cargo.

O próprio TSE diploma o presidente e o vice. Os tribunais regionais cuidam de governadores, senadores e deputados. Segundo a resolução do TSE para as eleições de 2026, todas as diplomações precisam terminar até 18 de dezembro de 2026, informou o NSC Total. Cada tribunal pode marcar a sua cerimônia antes dessa data.

Diplomação de presidente no TSE em dezembro de 2014
Cerimônia de diplomação no TSE em dezembro de 2014, último passo formal antes da posse daquele ano. Foto: Jonas Pereira/Agência Senado (CC BY 2.0)

O pedido de anulação pode impedir a posse do presidente?

Na noite de domingo, Flávio Bolsonaro afirmou que vai pedir a anulação do segundo turno, segundo o Poder360. Ele criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que estendeu a votação até as 19h, e disse que a regra “mudou no meio do jogo”. Além disso, afirmou que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre do TSE. Em nota divulgada nesta segunda (26), o TSE classificou essa declaração como falsa e disse que dois fiscais do partido acompanharam o teste das urnas e a totalização, com registro de presença e filmagem, segundo o SBT News.

De acordo com o InfoMoney, a campanha do próprio Flávio também havia pedido mais tempo de votação em partes de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, por causa da chuva. Até a manhã desta segunda, nenhuma decisão da Justiça Eleitoral tinha mudado o resultado proclamado.

Quanto à posse, a lei prevê caminhos para contestar um resultado. A Constituição permite uma ação de impugnação de mandato até 15 dias depois da diplomação, desde que ela traga provas de abuso de poder econômico, corrupção ou fraude. Mesmo assim, o artigo 216 do Código Eleitoral diz que, enquanto o TSE não julgar um recurso contra o diploma, o eleito pode exercer o mandato normalmente.

Como é a cerimônia de posse do presidente?

A Constituição manda que o presidente e o vice tomem posse em sessão do Congresso Nacional. Lá, eles prometem manter, defender e cumprir a Constituição. Depois, segundo a tradição, o presidente segue para o Palácio do Planalto, sobe a rampa e recebe a faixa presidencial.

Há ainda uma regra de prazo. Se, dez dias depois da data marcada, o presidente ou o vice não tiver assumido, o cargo é declarado vago, salvo motivo de força maior. Em 2023, por exemplo, Lula recebeu a faixa de um grupo que representava a diversidade do povo brasileiro, segundo a Agência Senado.

Sala de totalização dos votos no TSE
Sala de totalização dos votos no TSE, em Brasília. Foto: LR Moreira/Secom/TSE (domínio público)

O que acontece até 5 de janeiro?

O calendário daqui em diante tem três etapas. Primeiro, os partidos e candidatos prestam contas da campanha à Justiça Eleitoral. Depois, vem a diplomação, até 18 de dezembro. Por fim, a posse do presidente, em 5 de janeiro, e a dos governadores, no dia 6.

Lula completa 81 anos nesta terça-feira (27). Desde outubro de 2024, quando passou a marca de Michel Temer, ele já é a pessoa mais velha a ocupar a Presidência do Brasil, segundo o Congresso em Foco. Para entender como os votos foram contados, veja como funciona a apuração e o resumo do primeiro turno presidencial.

Em resumo, a posse do presidente em 2027 muda de data, mas o caminho até ela segue o mesmo: diplomação até dezembro, eventuais recursos analisados pelo TSE e o compromisso no Congresso. Quem quiser conhecer o papel de cada Poder nesse processo pode ler também o que faz o STF.

Antes do segundo turno, o Resenha Rentável mostrou o que espera quem assumir a Presidência em 2027. Veja:

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