Quem são os houthis, grupo que atacou o aeroporto de Riad
O ataque ao principal aeroporto da Arábia Saudita deixou 12 mortos e mais de 300 feridos. Veja de onde vem o grupo do Iêmen e por que ele mexe com o preço do petróleo.

Quem são os houthis? São um movimento armado do Iêmen, apoiado pelo Irã, que controla a capital do país, Sanaa, desde 2014. No sábado (10), o grupo voltou a atacar o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, capital da Arábia Saudita. Segundo a autoridade de aviação civil saudita, 12 pessoas morreram e 309 ficaram feridas.
O ataque é o mais grave de uma série que vem desde julho e ameaça puxar os Estados Unidos para mais uma frente no Oriente Médio. Além disso, ele acontece ao lado da maior exportadora de petróleo do mundo, num momento em que o barril já está caro por causa da guerra com o Irã. Por isso, o que acontece entre sauditas e houthis chega ao preço do combustível, como mostramos na matéria sobre o preço do diesel.
O que aconteceu no aeroporto de Riad?
De acordo com a Al Jazeera, entre os mortos estão quatro sauditas, dois cidadãos de Bangladesh e uma pessoa de cada um destes países: Estados Unidos, Jordânia, Palestina, Síria, Sudão e Egito. Alguns feridos estavam em estado grave. Em seguida, as operações do terminal foram suspensas e os voos, desviados, segundo a CNN Brasil.
Foi o terceiro ataque ao mesmo aeroporto na semana. Na quinta-feira (8), outro míssil já tinha matado três sauditas, entre eles um piloto. Depois disso, o chefe do escritório de mídia dos houthis escreveu no X que o grupo tinha “fechado” o aeroporto de Riad. Os houthis também disseram que o espaço aéreo saudita virou zona militar e que qualquer avião ali, com exceção das áreas de Meca e Medina, seria alvo.

Quem são os houthis e de onde eles vieram?
O movimento nasceu nos anos 1990, no norte do Iêmen, como um grupo de jovens religiosos fundado por Hussein Badr al-Din al-Houthi, segundo o centro de estudos Counter Extremism Project. Os membros seguem o zaidismo, uma vertente do islamismo xiita que governou o Iêmen por séculos até 1962. Em 2004, o grupo pegou em armas contra o governo, e o fundador morreu em combate naquele mesmo ano. Desde então, o líder é o irmão mais novo dele, Abdul-Malik al-Houthi.
O nome oficial do grupo é Ansar Allah, mas ele ficou conhecido pelo sobrenome da família que o criou. Hoje, os houthis controlam Sanaa e boa parte do território do Iêmen. Do outro lado está o governo reconhecido internacionalmente, que tem o apoio militar da Arábia Saudita.
Como os houthis tomaram o poder no Iêmen?
Em setembro de 2014, os houthis tomaram Sanaa. Poucos meses depois, o presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi renunciou, e o grupo dissolveu o Parlamento. Em março de 2015, a Arábia Saudita montou uma coalizão militar e começou a bombardear o país para devolver o poder ao governo.
A guerra que veio depois virou um impasse. Uma trégua mediada pela ONU entrou em vigor em abril de 2022 e reduziu os combates, mas expirou em outubro daquele ano sem renovação.

Qual a ligação dos houthis com o Irã?
Um relatório da ONU de 2015 confirmou que o Irã apoia os houthis desde pelo menos 2009, segundo o Counter Extremism Project. Além disso, autoridades americanas afirmam que a Força Quds, braço externo da Guarda Revolucionária iraniana, treinou combatentes do grupo. Por isso, o grupo é visto como um dos principais aliados do Irã na região.
Essa ligação explica a escalada de 2026. De acordo com a CNN Brasil, a guerra dos EUA com o Irã se intensificou em julho, com aliados americanos como a Arábia Saudita envolvidos. Ainda em julho, os houthis anunciaram um bloqueio naval contra os sauditas e passaram a mirar instalações da Aramco, a petroleira estatal do reino. Desde novembro de 2023, o grupo também ataca navios no Mar Vermelho, e em março de 2025 o governo americano o classificou como organização terrorista estrangeira.
Por que o ataque dos houthis mexe com o petróleo?
O Iêmen fica ao lado do estreito de Bab el-Mandeb, a passagem que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Ou seja, quem quer ir da Ásia à Europa pelo Canal de Suez precisa passar por ali. Com isso, cada ataque a navio ou a instalação de petróleo saudita aumenta o medo de faltar óleo no mercado.
Na sexta-feira (9), antes do ataque de sábado, o barril do tipo Brent fechou a US$ 104,72, com alta de 2,41% na semana, segundo o InfoMoney. No mesmo dia, a Aramco avisou refinarias europeias que entregaria todo o petróleo pedido para novembro, porque o principal oleoduto saudita voltou a operar. Enquanto isso, forças do governo do Iêmen disseram ter assumido o controle total do estreito.

O que pode acontecer agora com os houthis?
A coalizão liderada pela Arábia Saudita chamou o ataque de “crime de guerra” e prometeu responder de forma “decisiva”, segundo o porta-voz Turki al-Malki. Do lado americano, o presidente Donald Trump chamou o ataque de “terrível” e disse que os EUA vão analisar se entram nos ataques contra o grupo. Até agora, segundo a CNN Brasil, a ajuda americana aos sauditas se limita a inteligência e dados de alvos. O secretário de Estado, Marco Rubio, confirmou a morte de um cidadão americano.
Para o Brasil, o efeito chega pelo barril. Petróleo mais caro pressiona o diesel e a gasolina, e o governo já zerou tributos federais sobre a gasolina por 30 dias, como explicamos em gasolina vai baixar. A reação do mercado ao ataque só aparece na segunda-feira (12), quando as bolsas reabrem. Para entender o pano de fundo, vale ler também a matéria sobre a guerra no Irã e o Estreito de Ormuz.
Os houthis são hoje o braço do conflito com o Irã mais perto das rotas de petróleo do Mar Vermelho. Um grupo que nasceu como movimento religioso no norte do Iêmen agora fecha aeroporto saudita e entra na conta do preço do combustível no mundo todo.

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