Geopolítica

Quem são os houthis, grupo que atacou o aeroporto de Riad

O ataque ao principal aeroporto da Arábia Saudita deixou 12 mortos e mais de 300 feridos. Veja de onde vem o grupo do Iêmen e por que ele mexe com o preço do petróleo.

Redação 6 min de leitura
Foto: Henry Ridgwell/VOA (domínio público)

Quem são os houthis? São um movimento armado do Iêmen, apoiado pelo Irã, que controla a capital do país, Sanaa, desde 2014. No sábado (10), o grupo voltou a atacar o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, capital da Arábia Saudita. Segundo a autoridade de aviação civil saudita, 12 pessoas morreram e 309 ficaram feridas.

O ataque é o mais grave de uma série que vem desde julho e ameaça puxar os Estados Unidos para mais uma frente no Oriente Médio. Além disso, ele acontece ao lado da maior exportadora de petróleo do mundo, num momento em que o barril já está caro por causa da guerra com o Irã. Por isso, o que acontece entre sauditas e houthis chega ao preço do combustível, como mostramos na matéria sobre o preço do diesel.

O que aconteceu no aeroporto de Riad?

De acordo com a Al Jazeera, entre os mortos estão quatro sauditas, dois cidadãos de Bangladesh e uma pessoa de cada um destes países: Estados Unidos, Jordânia, Palestina, Síria, Sudão e Egito. Alguns feridos estavam em estado grave. Em seguida, as operações do terminal foram suspensas e os voos, desviados, segundo a CNN Brasil.

Foi o terceiro ataque ao mesmo aeroporto na semana. Na quinta-feira (8), outro míssil já tinha matado três sauditas, entre eles um piloto. Depois disso, o chefe do escritório de mídia dos houthis escreveu no X que o grupo tinha “fechado” o aeroporto de Riad. Os houthis também disseram que o espaço aéreo saudita virou zona militar e que qualquer avião ali, com exceção das áreas de Meca e Medina, seria alvo.

Terminal do aeroporto de Riad, atacado pelos houthis três vezes na mesma semana
Terminal do Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, alvo de três ataques na mesma semana. Foto: Kayhan Ertugrul/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Quem são os houthis e de onde eles vieram?

O movimento nasceu nos anos 1990, no norte do Iêmen, como um grupo de jovens religiosos fundado por Hussein Badr al-Din al-Houthi, segundo o centro de estudos Counter Extremism Project. Os membros seguem o zaidismo, uma vertente do islamismo xiita que governou o Iêmen por séculos até 1962. Em 2004, o grupo pegou em armas contra o governo, e o fundador morreu em combate naquele mesmo ano. Desde então, o líder é o irmão mais novo dele, Abdul-Malik al-Houthi.

O nome oficial do grupo é Ansar Allah, mas ele ficou conhecido pelo sobrenome da família que o criou. Hoje, os houthis controlam Sanaa e boa parte do território do Iêmen. Do outro lado está o governo reconhecido internacionalmente, que tem o apoio militar da Arábia Saudita.

Como os houthis tomaram o poder no Iêmen?

Em setembro de 2014, os houthis tomaram Sanaa. Poucos meses depois, o presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi renunciou, e o grupo dissolveu o Parlamento. Em março de 2015, a Arábia Saudita montou uma coalizão militar e começou a bombardear o país para devolver o poder ao governo.

A guerra que veio depois virou um impasse. Uma trégua mediada pela ONU entrou em vigor em abril de 2022 e reduziu os combates, mas expirou em outubro daquele ano sem renovação.

Cidade velha de Sanaa, capital do Iêmen controlada pelos houthis
Cidade velha de Sanaa, capital do Iêmen, controlada pelos houthis desde 2014. Foto: Matt May/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Qual a ligação dos houthis com o Irã?

Um relatório da ONU de 2015 confirmou que o Irã apoia os houthis desde pelo menos 2009, segundo o Counter Extremism Project. Além disso, autoridades americanas afirmam que a Força Quds, braço externo da Guarda Revolucionária iraniana, treinou combatentes do grupo. Por isso, o grupo é visto como um dos principais aliados do Irã na região.

Essa ligação explica a escalada de 2026. De acordo com a CNN Brasil, a guerra dos EUA com o Irã se intensificou em julho, com aliados americanos como a Arábia Saudita envolvidos. Ainda em julho, os houthis anunciaram um bloqueio naval contra os sauditas e passaram a mirar instalações da Aramco, a petroleira estatal do reino. Desde novembro de 2023, o grupo também ataca navios no Mar Vermelho, e em março de 2025 o governo americano o classificou como organização terrorista estrangeira.

Por que o ataque dos houthis mexe com o petróleo?

O Iêmen fica ao lado do estreito de Bab el-Mandeb, a passagem que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Ou seja, quem quer ir da Ásia à Europa pelo Canal de Suez precisa passar por ali. Com isso, cada ataque a navio ou a instalação de petróleo saudita aumenta o medo de faltar óleo no mercado.

Na sexta-feira (9), antes do ataque de sábado, o barril do tipo Brent fechou a US$ 104,72, com alta de 2,41% na semana, segundo o InfoMoney. No mesmo dia, a Aramco avisou refinarias europeias que entregaria todo o petróleo pedido para novembro, porque o principal oleoduto saudita voltou a operar. Enquanto isso, forças do governo do Iêmen disseram ter assumido o controle total do estreito.

Estreito de Bab el-Mandeb, rota de petróleo ameaçada pelos houthis
O estreito de Bab el-Mandeb, entre o Iêmen e a África, visto do espaço. Foto: NASA/METI/AIST/Japan Space Systems (domínio público)

O que pode acontecer agora com os houthis?

A coalizão liderada pela Arábia Saudita chamou o ataque de “crime de guerra” e prometeu responder de forma “decisiva”, segundo o porta-voz Turki al-Malki. Do lado americano, o presidente Donald Trump chamou o ataque de “terrível” e disse que os EUA vão analisar se entram nos ataques contra o grupo. Até agora, segundo a CNN Brasil, a ajuda americana aos sauditas se limita a inteligência e dados de alvos. O secretário de Estado, Marco Rubio, confirmou a morte de um cidadão americano.

Para o Brasil, o efeito chega pelo barril. Petróleo mais caro pressiona o diesel e a gasolina, e o governo já zerou tributos federais sobre a gasolina por 30 dias, como explicamos em gasolina vai baixar. A reação do mercado ao ataque só aparece na segunda-feira (12), quando as bolsas reabrem. Para entender o pano de fundo, vale ler também a matéria sobre a guerra no Irã e o Estreito de Ormuz.

Os houthis são hoje o braço do conflito com o Irã mais perto das rotas de petróleo do Mar Vermelho. Um grupo que nasceu como movimento religioso no norte do Iêmen agora fecha aeroporto saudita e entra na conta do preço do combustível no mundo todo.

Redação

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